31 de julho de 2025
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17 de março: conheça a história real de São Patrício, o padroeiro da Irlanda que virou sinônimo de festa

Conheça a história real de São Patrício, o bispo que usou um trevo para explicar a Santíssima Trindade e inspirou uma das festas mais animadas do mundo

Por Redação
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No dia 17 de março se celebra o dia de São Patrício - Foto: Reprodução/Canção Nova

O bebedor de cerveja mais atento já percebeu que, anualmente, diversos bares oferecem bebidas de cor verde e capricham na decoração, incluindo trevos de três folhas e outros apetrechos. Trata-se da festividade conhecida como "St. Patrick's Day" — o dia de São Patrício — comemorada sempre em 17 de março. Mas quem foi esse santo e qual a relação dele com a cerveja? A resposta envolve fé, história e migrações que transformaram uma celebração religiosa em um fenômeno cultural mundial.

Patrício é um dos santos católicos mais antigos. Acredita-se que tenha nascido por volta do ano 389, no final do século IV. Para se ter uma ideia, São Jorge, outro dos santos mais antigos, teria vivido "apenas" um século antes do patrono da Irlanda. E se Jorge tem a existência real cercada de controvérsias, o mesmo não se aplica a Patrício, segundo especialistas. "Por ter sido bispo, é uma situação diferente de São Jorge, que foi um soldado em uma multidão. São Patrício fundou uma comunidade de fé, instalando o cristianismo na Irlanda. Existiu, mesmo. E é venerado por católicos e anglicanos", explica Felipe Cosme Damião Sobrinho, padre e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Dayvid da Silva, padre e coordenador do curso de Teologia da PUC-SP, complementa: "A figura de São Patrício tem relatos mais reais. Embora a gente tenha dificuldade para dizer exatamente onde nasceu, quem eram os pais, os relatos sobre a existência são mais fidedignos. A grande questão é exatamente essa: não temos tantos, mas existe, sim, uma certa certeza da existência dele". A existência de Patrício, embora cercada de imprecisões históricas naturais pelos séculos que separam sua vida dos dias atuais, é plenamente comprovada além das tradições etílicas.

Embora seja fortemente associado à Irlanda, o possível local de nascimento do santo é Banwen, no País de Gales, atualmente parte do Reino Unido. A relação com a Irlanda começou na adolescência, quando Patrício teria sido capturado por piratas irlandeses aos 16 anos. Levado à ilha como escravo, passou seis anos cativo, período fundamental para o desenvolvimento de sua fé. Após fugir e retornar à Grã-Bretanha, ele voltaria à Irlanda por vontade própria, agora com uma missão divina.

Antes de retornar, Patrício passou uma temporada na França, onde estudou teologia em um mosteiro. A volta à Irlanda teria ocorrido por volta do ano de 432, já ordenado bispo. Uma das marcas de seu trabalho evangelizador foi utilizar o trevo, planta comum na ilha irlandesa, para explicar o conceito cristão da Santíssima Trindade — Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. "São Patrício soube criar diálogo em um primeiro momento com a cultura celta e, a partir daí, fazendo uma evangelização com a vida da cruz, uma vida pobre e de muita solidariedade. Ele teve muito amor pelos pobres, foi um bispo servidor. Isso marcou as raízes cristãs na Irlanda", destaca o padre Damião Sobrinho.

Ao santo também é atribuída a expulsão de todas as cobras da Irlanda, razão pela qual é representado em diversas imagens esmagando serpentes com um cajado. Sua santidade, porém, veio por outras razões. "Geralmente a santidade de São Patrício é atribuída à pregação. Neste caso, à pregação da Santíssima Trindade e incentivo ao sacramento da confissão. Era um homem, pelo que a gente sabe, que transformou a igreja e foi um grande incentivador da fé cristã, um apóstolo e pregador", afirma o professor Dayvid da Silva. Tais atos tornaram São Patrício um santo popular na Irlanda, país predominantemente católico há séculos, e sua popularidade ultrapassou fronteiras, especialmente após sua morte, em 17 de março de 461.

Com o passar do tempo, os irlandeses migraram para outros países, especialmente os Estados Unidos, onde famílias inteiras fincaram raízes — a ponto de, nas ligas esportivas norte-americanas, algumas equipes homenagearem a tradição irlandesa. Foi justamente nos Estados Unidos que a festa de São Patrício ganhou contornos mundiais. Os primeiros registros de comemoração do St. Patrick's Day datam de 1601, mas foi no século XVIII que as festividades ganharam força em cidades como Boston e Nova York — até hoje polos importantes da colônia irlandesa na América. Em Nova York, inclusive, está a Catedral de São Patrício, imponente igreja sede da arquidiocese da região, localizada na famosa Quinta Avenida.

Na Irlanda, o 17 de março é feriado nacional, e a festa toma conta das ruas. A associação com a cerveja, especialmente a verde, é uma tradição que surgiu naturalmente. "Virou uma festa popular. Era um dia em que as pessoas não tinham de se dedicar ao trabalho servil. Então as pessoas se encontravam e confraternizavam, justamente porque eram dias dados ao trabalho. A relação da cerveja está na Irlanda. E lá é uma bebida comum", explica o padre Felipe Cosme Damião Sobrinho. Assim, o que começou como uma celebração religiosa em homenagem a um bispo que usou um trevo para explicar a fé, hoje é também um motivo para brindar — com ou sem álcool, mas sempre com muito verde — à cultura irlandesa e à história de um santo que conquistou o mundo.