31 de julho de 2025
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Onça-parda é registrada no Sertão de Alagoas após mais de 25 anos sem aparição

Imagens foram capturadas por câmeras de monitoramento do Instituto SOS Caatinga; registro é considerado inédito pela comunidade científica

Por Redação
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Imagens foram capturadas por câmeras de monitoramento do Instituto SOS Caatinga; registro é considerado inédito pela comunidade científica - Foto: Reprodução

Um feito raro para a fauna alagoana foi registrado no Sertão do estado. Uma onça-parda, também conhecida como suçuarana, foi filmada por câmeras de monitoramento ambiental em uma área de vegetação densa da Caatinga. De acordo com especialistas, não havia confirmação oficial da presença do animal em território alagoano há mais de 25 anos.

As imagens foram obtidas durante atividades do projeto contínuo de observação da fauna silvestre desenvolvido pelo Instituto SOS Caatinga. A iniciativa, que existe há cerca de duas décadas, tem como foco identificar espécies que antes eram comuns na região, mas que hoje estão ameaçadas ou desapareceram localmente.

Macho adulto


O registro do felino ocorreu durante a noite, o que dificultou uma análise mais detalhada. Segundo o presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Araújo, trata-se de um macho adulto. Ele ressaltou que será necessário intensificar o monitoramento para obter mais informações sobre o comportamento e a permanência do animal na região.

Embora existam relatos recentes da presença da espécie em estados vizinhos, como Pernambuco e Sergipe, a confirmação em Alagoas é tratada como inédita pelos pesquisadores, consolidando um marco para a conservação da biodiversidade local.

Outras espécies raras
Além da onça-parda, os equipamentos de monitoramento também registraram outras espécies consideradas raras na Caatinga alagoana, como:

- Veado-catingueiro – mamífero ameaçado pela caça e destruição do habitat

- Jaguatirica em estado de gestação – indicativo de reprodução na região

- Jacucaca – ave endêmica da Caatinga e ameaçada de extinção

Descobertas e desafios


Com mais de duas décadas de atuação, o Instituto SOS Caatinga tem desenvolvido estudos voltados à preservação ambiental, incluindo a identificação de novas espécies e sítios arqueológicos. Entre as descobertas recentes, está uma caverna localizada no município de Belo Monte, que abriga cerca de 21 mil morcegos.

O presidente da instituição destacou a importância da preservação das áreas onde os registros foram realizados e reforçou a necessidade de apoio institucional para a continuidade das pesquisas. Segundo ele, apesar dos avanços, o trabalho ainda enfrenta desafios relacionados à falta de recursos e reconhecimento.

Atualmente, o instituto conta com apoio do Ministério Público, mas busca ampliar parcerias para fortalecer ações de educação ambiental e investir em novos equipamentos. A meta é expandir o monitoramento e contribuir para a proteção de espécies ameaçadas na Caatinga.

Espécie ameaçada


A onça-parda (Puma concolor) é o segundo maior felino das Américas, atrás apenas da onça-pintada. No Brasil, a espécie é encontrada em diferentes biomas, mas enfrenta ameaças como a perda de habitat, atropelamentos e conflitos com seres humanos. O registro em Alagoas reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à conservação da Caatinga e de sua biodiversidade.