"Corrida de espermatozoides" com prêmio de R$ 530 mil vira febre nas redes; entenda a polêmica
Evento criado por jovens empreendedores nos EUA quer chamar atenção para a queda da fertilidade masculina, mas virou alvo de críticas após suspeitas de edição nos resultados
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Uma competição no mínimo inusitada tomou conta das redes sociais nos últimos dias: a chamada "corrida de espermatozoides", ou sperm racing. Criada por um grupo de jovens empreendedores dos Estados Unidos, a iniciativa promete US$ 100 mil (cerca de R$ 533 mil) ao vencedor e tem como objetivo declarado chamar a atenção para um problema silencioso — a queda global na fertilidade masculina.
O evento, que já aconteceu em abril de 2025 em Los Angeles, foi idealizado por Eric Zhu (então com 17 anos), Nick Small (16), Shane Fan (22) e Garrett Niconienko. A proposta? Construir uma pista microscópica que simula o sistema reprodutor feminino — com sinais químicos e dinâmica de fluidos — e colocar dois espermatozoides para competir em tempo real, com direito a transmissão ao vivo, narração esportiva, estatísticas e até apostas.
O que está por trás da competição
Apesar do tom descontraído e do visual digno de um show de variedades, os organizadores garantem que não se trata de uma "pegadinha da internet". "A fertilidade masculina está caindo silenciosamente e ninguém fala sobre isso", afirmam no site oficial. Estudos citados por eles mostram que a contagem de espermatozoides caiu mais de 50% nas últimas cinco décadas — de 101 milhões por mililitro em 1973 para cerca de 49 milhões em 2018.
A ideia, segundo os criadores, é transformar a saúde em uma competição e fazer com que os homens passem a se interessar mais pelo próprio corpo. "Estamos pegando um tema que ninguém quer tocar e tornando-o interessante, mensurável e, de certa forma, mudando esse paradigma", explicaram.
A primeira edição e a polêmica
A primeira corrida oficial aconteceu em 25 de abril de 2025, no Hollywood Palladium, e colocou frente a frente dois estudantes universitários: Tristan Milker, da Universidade do Sul da Califórnia, e Asher Proeger, da UCLA. Os dois tiveram suas amostras coletadas e os espermatozoides foram colocados em um chip microfluídico. Após três baterias, Tristan foi declarado vencedor e levou para casa US$ 10 mil (cerca de R$ 57 mil) — um valor bem abaixo do prêmio milionário mencionado originalmente.
O evento, que teve ingressos esgotados para 400 pessoas, foi transmitido ao vivo e contou com análise em tempo real das células. No entanto, poucos dias depois, uma polêmica colocou em xeque a credibilidade da competição. O próprio Eric Zhu admitiu que as corridas não eram exibidas ao vivo como o público imaginava. Na verdade, os vídeos haviam sido pré-gravados e editados para tornar a experiência "mais interessante". A revelação gerou críticas e levantou dúvidas sobre a transparência do projeto.
Zhu justificou que, na primeira edição, tudo foi feito às pressas — em apenas 25 dias — e que a animação dos espermatozoides foi criada manualmente pela equipe, com base em dados reais de velocidade e distância percorrida. Ele garantiu que, nas próximas edições, o sistema será completamente reformulado para exibir imagens reais e em tempo real.
Próximos passos
Apesar da controvérsia, o projeto ganhou tração no Vale do Silício. A Sperm Racing já levantou US$ 10 milhões em investimentos e foi avaliada em US$ 75 milhões. A startup planeja uma turnê por universidades americanas e quer transformar as corridas em um evento recorrente, nos moldes do UFC — com direito a coletivas, pesagens, provocações entre os participantes e, claro, transmissões ao vivo.
Resta saber se o público está pronto para levar a sério uma competição de células reprodutivas. Mas, para os criadores, o recado já foi dado: "A saúde é uma corrida, e todo mundo merece uma chance na linha de largada".