31 de julho de 2025
saudade

Mamonas Assassinas: irmã de Júlio Rasec abre o coração 30 anos após tragédia

Em entrevista exclusiva, Paula Rasec relembra infância do tecladista, revela talentos pouco conhecidos e fala sobre a saudade da família

Por Redação
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Paula Rasec recorda momentos marcantes ao lado do irmão - Foto: Reprodução/Redes sociais

Em 2026, completa três décadas um dos acidentes aéreos que mais comoveu o Brasil e interrompeu de forma abrupta a trajetória meteórica dos Mamonas Assassinas. Entre as vítimas estava Júlio César Barbosa, o Júlio Rasec, tecladista de cabelos vermelhos da banda, que na época tinha apenas 28 anos. Para marcar a data, o blog Do Meu Tempo entrevistou Paula Rasec, 50 anos, irmã do músico, que revisitou memórias emocionantes da família, revelou detalhes íntimos do artista fora dos palcos e falou sobre a saudade e o legado deixado por ele.

O irmão tranquilo e talentoso por trás do personagem irreverente

Longe dos holofotes e do personagem irreverente que conquistou o país, Júlio era outra pessoa. Paula descreve o irmão como alguém "sempre muito tranquilo, engraçado, inteligente e estudioso". O talento para as artes, no entanto, já se manifestava desde a infância. "A mamãe sempre contou que, desde muito pequeno, ele gostava de cantar e imitava Frank Sinatra, Nat King Cole, Roberto Carlos e Elvis Presley", revela. O tecladista também participava ativamente do grupo de jovens da igreja, onde comandava teatros e eventos musicais, já demonstrando sua paixão pelos palcos.

Quando os Mamonas Assassinas explodiram em sucesso praticamente da noite para o dia, a família mal teve tempo de processar a dimensão do fenômeno. Paula confessa que o sentimento predominante era a preocupação com a segurança do irmão, sempre viajando pelas estradas do país. "Confesso que não deu tempo para entender o que estava acontecendo, apenas nos preocupávamos com ele nas estradas", lembra.

Talentos pouco conhecidos e o sonho interrompido

Para além da música, Júlio Rasec guardava habilidades que poucos conhecem. Segundo a irmã, ele desenhava muito bem, tinha uma caligrafia linda, praticava lettering e era um exímio fotógrafo. Foi ele, inclusive, o responsável por desenhar a icônica mamona e o logo com o símbolo da Volkswagen ao contrário, marcas registradas da banda. "Gostava também de carros antigos e vivia fazendo carros de argila com o tio, que tinha a mesma idade, para criar algo, mas não tiveram tempo", lamenta Paula.

Perguntada sobre o sonho que o irmão não teve tempo de realizar, ela é direta: "Acredito que curtir o sucesso." Uma declaração que ganha ainda mais peso quando se considera a rapidez com que tudo aconteceu na vida do grupo.

Saudade, memória e o legado que atravessa gerações

A família mantém viva a memória de Júlio com gestos simples e carregados de simbolismo. "Fotografar a flor que sempre abre no aniversário dele, considerada a sua flor, já que, quando a mamãe chegou do hospital com ele, ela estava aberta", revela Paula, emocionada. Além disso, celebrar a data com quindim, bolo mil-folhas e espumante Asti se tornou tradição entre os familiares.

O legado do músico, no entanto, transcende o círculo familiar. Três décadas depois, o impacto dos Mamonas Assassinas continua atingindo novas gerações, algo que emociona profundamente a família. "É algo que emociona muito a nossa família, porque, como sempre digo, ele se foi sem ter a dimensão do sucesso. Ser abordada por crianças que sabem muito sobre eles é maravilhoso; é a certeza de que não foi em vão", afirma.

Ao ser convidada a descrever o irmão em poucas palavras para quem não teve a chance de conhecê-lo, Paula não hesita: "Carinhoso, atencioso, um pouco ciumento, família, adorava gatos e me ensinou a trocar pneu antes de me ensinar a dirigir, porque dizia que essa deveria ser a primeira aula. Era engraçado, sempre com sacadas muito boas e, por mais que fosse tímido, sabia ser a pessoa mais engraçada do rolê."