31 de julho de 2025
ESCALA 6X1

Audiência vai debater impactos da escala 6x1 sobre a dignidade da pessoa humana

Jornadas extensas produzem impactos concretos sobre o bem-estar

Por Patrícia Fahlbusch
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Segundo os parlamentares, a escala 6x1 impõe aos trabalhadores uma rotina de exaustão - Foto: Tânia Rêgo - Agência Brasil

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados realiza na quarta-feira da semana que vem, dia 18, audiência pública para discutir os impactos da escala de trabalho 6x1 sobre a dignidade da pessoa humana.

Segundo os parlamentares, a escala 6x1 impõe aos trabalhadores uma rotina de exaustão e limitação do convívio familiar e comunitário, além de reduzir o tempo destinado ao descanso, ao lazer, ao estudo e ao cuidado com a saúde. Evidências científicas indicam que jornadas extensas e períodos insuficientes de descanso produzem impactos concretos sobre o bem-estar da classe trabalhadora. Estudo da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do Trabalho, por exemplo, mostra que trabalhar 55 horas ou mais por semana está associado ao risco 35% maior de acidente vascular cerebral, e 17% maior de morte por cardiopatia isquêmica em comparação com jornadas de 35 a 40 horas semanais.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicaram que mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens, 11,7 horas.

A escala 6x1 é um modelo no qual o funcionário trabalha seis dias consecutivos e folga um, respeitando o limite de 44 horas semanais da Consolidação das Leis do Trabalho. Esse sistema é muito usado no comércio, em estabelecimentos de saúde e no setor de serviços. Atualmente, tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado Federal diversas propostas que acabam com a escala 6x1 e/ou reduzem a jornada semanal de 44 horas dos trabalhadores.