31 de julho de 2025

Casal suspeito de envolvimento em morte de corretora é preso após fugir para o RS

Vítima é Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, que estava desaparecida em Florianópolis. Corpo foi encontrado esquartejado em córrego de Major Gercino (SC)

Por Redação
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Mensagem suspeita acendeu alerta à família de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, desaparecida em Florianópolis - Foto: Arquivo pessoal

Um casal suspeito de envolvimento na morte da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, foi preso em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, na quinta-feira (12). Os dois tentavam fugir para o Rio Grande do Sul quando foram capturados por policiais rodoviários federais. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Santa Catarina nesta sexta-feira (13).

Luciani estava desaparecida desde o dia 4 de março, em Florianópolis, onde morava sozinha em um apartamento na Praia dos Ingleses, região norte da Ilha. O corpo dela foi encontrado na última quarta-feira (11) dentro de um córrego na cidade de Major Gercino, no Vale do Itajaí. A vítima estava esquartejada, sem cabeça, pés e braços. A identificação foi feita por familiares, que se deslocaram até Balneário Camboriú para o reconhecimento dos restos mortais.

De acordo com a investigação, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu no apartamento dela até a madrugada do dia 7, quando foi retirado pelos suspeitos. Em seguida, o corpo foi levado até uma ponte na área rural de Major Gercino e jogado no rio, dividido em cinco pacotes, pelo casal e um adolescente de 14 anos. As buscas para localizar as demais partes do corpo seguem em andamento.

Como a polícia chegou aos suspeitos

A investigação começou após a família registrar boletim de ocorrência do desaparecimento na segunda-feira (9). O irmão da vítima, Matheus Estivalet Freitas, desconfiou ao receber mensagens do celular de Luciani repletas de erros gramaticais — algo incomum para ela, que tinha graduação e pós-graduação e havia sido professora universitária. As mensagens diziam que ela estava bem, mas sendo perseguida por um ex-namorado.

Paralelamente, a polícia identificou que diversas compras estavam sendo feitas online utilizando o CPF e os meios de pagamento da vítima. Ao monitorar as entregas, os agentes abordaram um adolescente de 14 anos que retirava uma das encomendas. Ele disse que os produtos eram para o irmão.

Com isso, os policiais chegaram a uma pousada em Florianópolis, onde encontraram uma mulher de 47 anos que se apresentava como responsável pelo local. No estabelecimento, foram localizadas duas malas com objetos pessoais de Luciani, além de produtos comprados em nome dela — como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. O carro da vítima, um Hyundai HB20, também estava no local.

A mulher foi presa em flagrante por receptação. Durante a audiência de custódia, o juiz apontou indícios de homicídio e determinou a prisão temporária por 30 dias. Ela nega envolvimento no crime.

Foragido de São Paulo

As investigações também revelaram que o irmão do adolescente, um homem de 27 anos, estava foragido do estado de São Paulo desde 2022, quando cometeu um latrocínio na cidade de Laranjal Paulista. Na ocasião, ele matou o proprietário de uma padaria com um tiro na cabeça. O homem e sua companheira, de 30 anos, moravam em um apartamento vizinho ao de Luciani no mesmo residencial.

Ao perceberem que estavam sendo investigados, o casal fugiu para o Rio Grande do Sul, mas foi preso em Gravataí por policiais rodoviários federais na quinta-feira (12).

Investigação continua

A Polícia Civil informou que a dinâmica do crime e a autoria do latrocínio e da ocultação de cadáver já foram esclarecidos, mas as investigações continuam para colher outros elementos e verificar o possível envolvimento dos suspeitos em outros crimes. Ao todo, cinco pessoas são investigadas: o casal preso no RS (homem de 27 anos e mulher de 30), a mulher de 47 anos presa em Florianópolis, o adolescente de 14 anos e a mãe dos dois irmãos.

O Ministério Público de Santa Catarina pediu que a investigação passe a tramitar no Tribunal do Júri, por entender que há elementos que indicam crime contra a vida. Depoimentos colhidos apontam que houve tentativas de esconder pertences da vítima e dificultar o trabalho da polícia.

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