31 de julho de 2025
MARANHÃO

Paralisação de ônibus do sistema urbano deixa São Luís sem transporte nesta sexta (13)

Rodoviários suspendem atividades por atraso no pagamento do reajuste salarial; sistema semiurbano opera parcialmente, mas sem acesso ao Terminal da Cohab

Por Redação
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Greve parcial deixa São Luís sem ônibus do sistema urbano após atraso no pagamento dos rodoviários - Foto: Reprodução/Ádria Rodrigues/TV Mirante

Os ônibus do sistema urbano de São Luís não circularam nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (13). A paralisação foi iniciada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema) após atraso no pagamento do reajuste salarial da categoria por parte de algumas empresas. Até o momento, não há previsão de retorno do serviço na capital maranhense.

Conforme apuração da TV Mirante, somente em uma das empresas do sistema, cerca de 300 funcionários não trabalharam, e nenhum coletivo deixou as garagens. De acordo com o sindicato, aproximadamente 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam no sistema de transporte público da Grande São Luís.

Diferente do cenário observado no urbano, os ônibus do sistema semiurbano, que atendem os municípios de São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar, estão operando quase totalmente. No entanto, há uma restrição importante: os veículos não estão acessando o Terminal da Cohab, situação que já ocorreu em paralisações anteriores. A catraca de entrada do terminal está interditada, e passageiros aguardam alternativas na porta do local.

O Sttrema informou que participou, na quinta-feira (12), de uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, onde houve avanço nas negociações relacionadas ao pagamento do reajuste salarial. No caso do sistema semiurbano, ficou definido que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) deverá repassar às empresas que operam o serviço os valores referentes à diferença do reajuste, para que o pagamento seja efetuado aos trabalhadores. Já em relação ao sistema urbano, administrado pela Prefeitura de São Luís, ainda não houve indicativo de pagamento por parte das empresas.

A paralisação ocorre enquanto o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) conduz um inquérito civil que apura falhas na prestação do serviço, paralisações recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e operação do sistema de transporte da capital. A investigação foca no Município de São Luís, no SET, nos consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda.

Como providências iniciais, o MPMA solicitou à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e ao SET informações detalhadas sobre todas as linhas do sistema, planilhas de custos, valores de subsídios tarifários pagos entre 2021 e 2026, número de novos ônibus incorporados à frota no período e medidas administrativas adotadas pela Prefeitura diante das falhas registradas.

Em fevereiro, após mais de quatro dias de greve, o Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16) concedeu reajuste salarial de 5,5% à categoria, retroativo a 1º de janeiro de 2026. A decisão também incluiu a implantação de um plano odontológico e aumento no tíquete-alimentação.

Nos últimos seis anos, a capital enfrentou ao menos dez paralisações no sistema, provocadas principalmente por impasses salariais e disputas entre empresas e rodoviários. Em 2022, a cidade registrou a maior greve do período, que se estendeu por 43 dias. A última paralisação, em janeiro, durou oito dias e foi encerrada após um acordo que determinava o pagamento integral dos salários atrasados até o dia 10 de março, promessa que motivou o movimento atual.