"Nosso irmão": prints mostram traficante e TH Joias elogiando ex-secretário do RJ Alessandro Carracena
Investigações revelam trocas de mensagens em que Índio do Lixão afirma que ex-secretário sempre esteve "firme" com o grupo; Carracena foi preso em operações da PF por ligação com o Comando Vermelho
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Novas revelações sobre a relação entre agentes públicos e o crime organizado no Rio de Janeiro vieram à tona. A coluna teve acesso a capturas de tela de conversas que mostram o ex-secretário de Estado Alessandro Pitombeira Carracena sendo mencionado em trocas de mensagens entre Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, e o traficante do Comando Vermelho (CV) Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como "Índio do Lixão".
Nos prints, que fazem parte das investigações da Polícia Federal, o traficante afirma, no dia 27 de maio de 2024, que Carracena sempre teria estado "firme" com ambos. Em resposta, TH Joias chama o ex-secretário de "nosso irmão" e completa dizendo que ele "nunca deixou de nos atender".
Antes disso, no fim de janeiro daquele ano, Carracena já havia aparecido em outro diálogo. Na ocasião, TH Joias enviou a Índio do Lixão informações e a localização de dois veículos roubados, que o ex-secretário teria solicitado que fossem devolvidos.
Alessandro Carracena, que ocupou o cargo de secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro em 2022 e depois atuou como subsecretário de Defesa do Consumidor, já havia sido preso em setembro de 2025 na Operação Zargun, que também atingiu TH Joias. Na ocasião, a PF apontou que ele teria recebido mais de R$ 90 mil do Comando Vermelho.
Nesta semana, Carracena voltou a ser preso na Operação Anomalia, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um núcleo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. Também foi preso na mesma operação o delegado da Polícia Federal Fabrizio Romano.
O ex-secretário já teve seu nome envolvido em outras polêmicas. Em 2022, quando ocupava o cargo de secretário estadual de Esportes do Rio, foi alvo de críticas por continuar exercendo a advocacia, prática proibida por lei a quem ocupa funções de direção na administração pública.
Ele também chegou a defender um homem acusado de pedofilia e de manter em casa um acervo de símbolos nazistas, incluindo bandeiras, fardas da SS e armas. A atuação gerou repúdio da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj), que pediu publicamente que ele escolhesse entre a advocacia e o cargo público.
Além disso, o então secretário defendeu acusados de integrar milícias no Rio de Janeiro, como os irmãos Eduardo e Leandro dos Santos Campos, presos em 2019 em operações contra paramilitares na Praça Seca.
As investigações seguem em andamento, e os envolvidos podem responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.