Fazenda no Catolé vira alvo de nova disputa após entrada de representantes de empresa e presença da PM
Família herdeira denuncia invasão de propriedade em Maceió; inventariante afirma que decisões judiciais já autorizaram venda do imóvel
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A Fazenda Vale do Catolé, localizada em Maceió, voltou ao centro de uma disputa judicial após representantes de uma empresa de engenharia entrarem na propriedade na manhã desta terça-feira (10), com a presença de policiais militares. A família proprietária afirma que a ação ocorreu de forma irregular e caracteriza uma invasão.
Segundo os herdeiros da área, funcionários da empresa Amorim Barreto Engenharia teriam cortado a cerca da fazenda e acessado o terreno para retirar equipamentos utilizados anteriormente no local. A operação teria contado com o acompanhamento de agentes da Polícia Militar de Alagoas.
Familiares alegam que a entrada na propriedade ocorreu mesmo com o processo judicial envolvendo o imóvel ainda em tramitação na Justiça. O caso está em análise na segunda instância e, segundo eles, não haveria decisão definitiva autorizando medidas desse tipo.
A situação também foi denunciada nas redes sociais pelo jornalista Antônio Fernando da Silva, conhecido como Fernando CPI, que questionou a presença de forças de segurança em um conflito privado enquanto o processo ainda estaria em julgamento.
Tensão no local
De acordo com relatos da família, um homem que acompanhava a ação teria se apresentado como oficial de Justiça, mas não teria exibido documentos que comprovassem sua identidade ou função. A circunstância levantou suspeitas entre os moradores da fazenda.
Durante a ocorrência, parentes afirmam que houve momentos de tensão dentro da propriedade. A matriarca da família, Maria José, de 79 anos, que reside no local e possui problemas de saúde, teria passado mal após a movimentação na área.
Disputa judicial antiga
O conflito envolve herdeiros da família Omena e o inventariante dativo Daniel dos Santos Gomes, responsável pela administração do espólio deixado por Jairo Farias de Omena, falecido em 1998.
A fazenda representa cerca de 78% do patrimônio deixado pelo empresário. Os herdeiros afirmam que o imóvel foi negociado sem consenso da família e por valor inferior ao de mercado. Segundo eles, a área teria sido avaliada em R$ 2,6 milhões, mas poderia valer até quatro vezes mais.
De acordo com os familiares, a venda teria sido autorizada para quitar dívidas do espólio, embora contestem a necessidade da alienação do principal bem da herança.
Versão do inventariante
Em nota enviada por meio de seu advogado, Márcio Feitosa Barbosa, o inventariante Daniel Gomes dos Santos negou irregularidades e afirmou que todas as decisões relacionadas ao processo — incluindo nomeação, avaliação do imóvel e autorização de venda — foram confirmadas pelo Judiciário em duas instâncias.
Segundo ele, o inventário está aberto desde 2000 e se prolongou por quase 25 anos devido à falta de iniciativa de alguns herdeiros para concluir o processo. O inventariante também afirmou que a venda do imóvel é necessária para quitar despesas e dívidas do espólio.
O caso segue em tramitação na Justiça sob o número 0011521-11.2000.8.02.0001, e ainda depende de decisões judiciais para definir o destino da propriedade.