31 de julho de 2025

Trend violenta contra mulheres viraliza nas redes e acende alerta sobre machosfera; entenda o perigo

Vídeos simulam agressões em caso de rejeição amorosa; deputada aciona MP e especialistas alertam para crime de incitação ao ódio

Por Redação
Publicado em
Conteúdos violentos contra a mulher viralizam na internet - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Uma trend perigosa e violenta vem viralizando nas redes sociais: vídeos em que homens simulam agressões — como socos, chutes e facadas — contra mulheres que supostamente os rejeitaram. O conteúdo, que mistura "humor" e violência, ganhou força justamente em um momento em que os números de feminicídio e violência contra a mulher batem recordes no país.

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) denunciou o caso ao Ministério Público e usou as redes para alertar sobre o perigo. "Como as redes não são regulamentadas no Brasil, eles chamam isso de liberdade. Ou vão chamar de brincadeira. Um absurdo. Acionei o Ministério Público para investigar esses perfis", afirmou.

Para a parlamentar, os vídeos escancaram a urgência de regulamentar as plataformas. Ela defende a aprovação de um projeto de lei de sua autoria que tipifica como crime a misoginia coordenada e coletiva nas redes.

Crime ou brincadeira?

A advogada criminalista Pamela Villar explica que esse tipo de conteúdo pode, sim, configurar crime. "Se um homem, influenciado por essa trend, agredir uma mulher por ela recusar um relacionamento, o autor da agressão e quem produziu o conteúdo podem responder criminalmente. Se várias pessoas seguirem o roteiro, o criador pode ser responsabilizado por cada um dos crimes separadamente", alerta.

O que é a machosfera?

Esses conteúdos fazem parte de um ecossistema online mais amplo, chamado de "machosfera". O termo reúne comunidades voltadas ao público masculino que promovem discursos de ódio contra mulheres e comportamentos agressivos. Entre os grupos mais conhecidos estão os "red pills" (que acreditam que os homens são oprimidos pela sociedade moderna) e os "incels" (celibatários involuntários que culpam as mulheres por sua condição).

Misoginia pode virar crime

Diante do crescimento desses discursos, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, em outubro de 2025, um projeto que prevê pena de 2 a 5 anos de prisão para crimes de misoginia. Mas, na prática, responsabilizar as plataformas ainda é um desafio.

Sem decisão judicial, as redes só são obrigadas a remover imediatamente conteúdos relacionados a crimes sexuais quando notificadas pela vítima. Mesmo assim, Pamela Villar avalia que a chance de punir as empresas é remota. "Existe a possibilidade teórica de responsabilização por omissão, mas concretamente é muito difícil", afirma.

Números da violência

Dados do Ministério da Justiça mostram que o Brasil registra atualmente quatro feminicídios por dia. Em 2025, foram 1.547 mortes — um número que cresce todos os anos desde 2015. Só em janeiro de 2026, 131 mulheres foram mortas, um aumento de quase 5% em relação ao mesmo mês do ano passado. O período também registrou 5.200 estupros, cerca de 168 por dia.

Denuncie

Casos de violência contra mulheres podem e devem ser denunciados pelo Ligue 180. A central funciona 24 horas e oferece acolhimento e orientação.

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