Amizade entre baleias levou 54 animais à morte na Escócia ao tentarem salvar fêmea em trabalho de parto
Investigação revela que forte laço social fez grupo seguir uma companheira em dificuldade para águas rasas, onde ficaram presos; apenas uma sobreviveu
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Um dos maiores encalhes de baleias-piloto registrados recentemente na Europa pode ter sido causado por um gesto de solidariedade entre os animais. Uma nova investigação do governo escocês aponta que o forte vínculo social entre eles fez com que um grupo inteiro seguisse uma fêmea em dificuldade até águas rasas, onde acabaram presos e morreram.
A tragédia aconteceu em 16 de julho de 2023, na Ilha de Lewis, na Escócia. Das 54 baleias que encalharam, apenas uma conseguiu voltar ao mar. As demais morreram afogadas ou precisaram ser sacrificadas para evitar sofrimento.
O que aconteceu com as baleias?
Quase três anos depois, cientistas da Direção Marinha do governo escocês divulgaram um relatório explicando o caso. Eles concluíram que o grupo estava saudável antes do encalhe, mas uma fêmea adulta passava por um parto complicado — situação comum quando o filhote é muito grande ou está mal posicionado.
As baleias-piloto são extremamente sociáveis. Elas vivem em grupos unidos e têm o instinto de proteger e acompanhar indivíduos feridos ou em perigo. Os pesquisadores acreditam que, ao perceber o sofrimento da fêmea, as outras baleias a seguiram enquanto ela nadava em direção à costa. Foi assim que o grupo inteiro acabou ficando preso em águas rasas.
Uma "armadilha" no mar
Quando chegaram perto da praia, o ambiente marinho agravou ainda mais a situação. Ventos, correntes e o formato do fundo do mar dificultaram a volta dos animais para o oceano profundo.
O cientista Andrew Brownlow, especialista em mamíferos marinhos, explicou ao jornal The Guardian que o comportamento de proteger um membro do grupo, que em mar aberto ajuda contra predadores, se transformou em uma armadilha fatal perto da costa.
“Esse comportamento atraiu o grupo para uma área de águas rasas, onde o fundo do mar tem um declive suave e sedimentos finos em suspensão. Isso pode ter criado uma ‘armadilha acústica’ – ou seja, os sons que as baleias usam para se orientar ficaram prejudicados, e elas perderam a capacidade de voltar para águas mais profundas”, explicou.
Lições sobre os laços entre os animais
O caso reforça o que pesquisadores já sabem: as baleias-piloto formam laços tão fortes quanto os de alguns primatas. Esse comportamento ajuda na proteção do grupo e no cuidado com os filhotes, mas em situações extremas pode levar todos ao perigo.
A tragédia na Escócia é um lembrete de como a união e o instinto de proteção, que normalmente garantem a sobrevivência, às vezes podem ter consequências inesperadas.