31 de julho de 2025
Caso repercutiu na ALE

PM prende dois sargentos após críticas a comandante em grupo de mensagens em Arapiraca

Parlamentar denuncia detenção administrativa de militares do 3º Batalhão e questiona escolta policial concedida a empresário investigado por fraude milionária

Por Redação
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PM prende dois sargentos após críticas a comandante em grupo de mensagens em Arapiraca - Foto: Ascom 3° BPM

Dois sargentos do 3º Batalhão da Polícia Militar de Alagoas (3º BPM), responsável pelo policiamento em Arapiraca, foram presos administrativamente após fazerem críticas ao comandante da unidade em um grupo de mensagens interno. A informação foi revelada nesta quinta-feira (5) pelo deputado estadual Cabo Bebeto (PL), durante sessão ordinária no plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).

Segundo o parlamentar, os militares devem permanecer detidos por 72 horas. Durante o pronunciamento, Cabo Bebeto criticou a medida disciplinar e afirmou que o sistema militar permite punições consideradas excessivas. “Recebi a informação de que dois sargentos do 3º Batalhão da Polícia Militar foram presos administrativamente”, declarou o deputado durante a sessão.

O parlamentar também fez críticas ao modelo disciplinar das corporações militares. Para ele, o sistema ainda se baseia em normas consideradas ultrapassadas.

“Para quem não conhece o militarismo, ele é um sistema arcaico, ultrapassado e abusivo, que se aproveita de uma lei antiga que não cabe mais hoje e que dá brecha para que pessoas sejam presas de forma sumária, sem o devido processo legal e o direito ao contraditório. E é isso que está acontecendo agora no 3º Batalhão”, afirmou Bebeto.

Escolta policial a empresário vira alvo de críticas

Durante o mesmo pronunciamento, o deputado também questionou a concessão de escolta policial a um dos sócios de uma construtora investigada por aplicar um suposto golpe milionário em Arapiraca.

De acordo com as informações apresentadas por Bebeto, o empresário estaria recebendo proteção policial fornecida pelo Estado mesmo sendo alvo de acusações relacionadas à venda irregular de imóveis e outras negociações que teriam causado prejuízos a clientes.

A construtora citada pelo parlamentar enfrenta um processo de recuperação judicial. Segundo relatos recebidos pelo deputado, diversas pessoas teriam sido lesadas pela empresa.

“Policiais estão fazendo a segurança de um desses sócios que causou um prejuízo de R$ 50 milhões para muitos homens e mulheres de bem, e o Estado está, agora, protegendo quem lesou as pessoas”, afirmou o parlamentar, ao classificar a situação como uma “inversão de valores”.

Amparo legal

A escolta policial, conforme relatado na sessão, foi autorizada pelo Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg/AL) e possui respaldo legal. Ainda assim, Bebeto defendeu que esse tipo de medida seja revisto.

“Fica aqui a minha crítica ao Conseg, ao Governo do Estado e à Justiça, porque, se foi feito isso, é porque há algum amparo legal, mas isso precisa ser revisto”, declarou.

O caso envolvendo a construtora ocorreu em Arapiraca e, segundo o deputado, os prejuízos provocados pelas supostas fraudes ultrapassam R$ 50 milhões. O processo de recuperação judicial da empresa pode obrigar os clientes prejudicados a aguardar decisões da Justiça e aceitar perdas parciais dos valores investidos.