31 de julho de 2025
Economia

Bloqueio do Estreito de Ormuz na guerra do Irã pode afetar exportações brasileiras

Frango, madeira e papel estão entre os produtos que utilizam a rota marítima rumo a países do Golfo Pérsico

Por Redação
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Para o Brasil, os impactos podem atingir principalmente setores como proteína animal, madeira e papel. - Foto: Bloomberg

O possível bloqueio do Estreito de Ormuz, em meio à guerra envolvendo o Irã, pode afetar diretamente as exportações brasileiras destinadas aos países do Golfo Pérsico. A região é considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo e concentra o transporte de petróleo, gás e diversas commodities.

Dados da consultoria MTM Logix indicam que cerca de 20% de todo o petróleo mundial passa pelo estreito, além de aproximadamente 25% dos fertilizantes e 35% dos químicos e plásticos comercializados globalmente. A região também concentra cerca de 15% do comércio mundial de grãos.

Para o Brasil, os impactos podem atingir principalmente setores como proteína animal, madeira e papel. Levantamento da consultoria Datamar aponta que, em 2025, cerca de 158,3 mil contêineres saíram do país com destino a nações que margeiam o Golfo Pérsico.

Entre os destinos estão Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait. Para chegar a esses mercados, os navios precisam atravessar obrigatoriamente o Estreito de Ormuz.

Do total exportado, cerca de 67,9% correspondem à proteína animal — principalmente carne de frango. A madeira representa 13,4% das cargas, enquanto o papel responde por 2,8%.

Impactos logísticos

O volume exportado para esses países representa 4,87% de toda a pauta de exportações marítimas brasileiras. Em alguns setores, porém, a dependência da rota é ainda maior.

No caso da proteína animal, por exemplo, a participação chega a 14,8% das exportações, alcançando 23,4% especificamente no segmento de carne de frango.

Segundo o diretor-executivo da Datamar, Andrew Lorimer, a interrupção da rota representa um forte choque logístico e energético global.

“Em termos de carga conteinerizada, é um volume muito grande passando pelo Estreito de Ormuz”, afirmou.

De acordo com o especialista, já há sinais de aumento no custo do transporte marítimo, com companhias cobrando taxas de risco de guerra entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por contêiner destinado à região.

Queda no tráfego marítimo

Com a escalada do conflito no Oriente Médio, o tráfego de navios na região caiu drasticamente. A companhia chinesa COSCO Shipping anunciou a suspensão das operações para diversos países do Golfo.

A decisão afeta rotas para Bahrein, Iraque, Catar e Kuwait, além de áreas dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita. Alguns portos fora do Golfo Pérsico, como os de Khor Fakkan e Fujairah, ainda podem operar por estarem localizados no Golfo de Omã.

Outras grandes empresas do setor marítimo, como Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd, também anunciaram a suspensão temporária das operações na região devido ao risco de ataques.

Impactos na aviação

A escalada da guerra também provocou impactos no transporte aéreo. Mais de 20 mil voos com destino a hubs do Oriente Médio foram cancelados desde o início dos confrontos.

Companhias como Emirates e Qatar Airways suspenderam temporariamente rotas para a região.

Dos cerca de 36 mil voos programados desde 28 de fevereiro para aeroportos do Oriente Médio, mais da metade foi cancelada, afetando aproximadamente 4,4 milhões de passageiros.