Polícia investiga novos casos de estupro cometidos por grupo de jovens de Copacabana
Duas novas vítimas denunciam violência sexual; uma delas foi chantageada com ameaça de divulgação de imagens
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou nesta terça-feira (3) que investiga mais dois casos de estupro cometidos contra alunas adolescentes do Colégio Federal Pedro II, praticados por integrantes do mesmo grupo responsável por violentar uma estudante de 17 anos em janeiro deste ano, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Uma das novas denúncias envolve uma menina que tinha 14 anos na época do crime e atualmente está com 17.
De acordo com as investigações da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), a segunda vítima prestou depoimento na segunda-feira (2) e revelou que os acusados sugeriram ter gravado imagens da violência, ocorrida em 2023, como forma de chantageá-la para que não denunciasse o crime. A mãe da jovem também informou aos investigadores que, assim como a primeira vítima, a filha conhecia um dos envolvidos — o único adolescente do grupo — justamente por estudarem juntos no Colégio Pedro II.
O crime teria acontecido na casa de Matheus Veríssimo Zoel Martins, que se entregou à polícia nesta terça-feira após estar foragido. Segundo o delegado Antônio Lages, responsável pelo caso, o modus operandi se repetiu. "O adolescente infrator tinha a confiança da vítima, uma menina de 14 anos à época, atraiu ela para um apartamento e lá, junto com ele, estava o Matheus, preso aqui conosco, e mais uma terceira pessoa", detalhou. A polícia pretende solicitar análise telemática para recuperar dados de celulares dos denunciados.
Terceiro caso é descoberto
Ainda na terça-feira, um terceiro caso veio à tona. Durante depoimento, a mãe de outra vítima relatou que Vitor Hugo Oliveira Simonin teria estuprado sua filha durante uma festa junina em outubro de 2025, em um salão de festas. O delegado Antônio Lages afirmou que as investigações ainda estão em estágio inicial e não é possível precisar se o crime foi cometido por todo o grupo ou apenas por um dos envolvidos. Ele não deu mais detalhes sobre o local ou a identidade da vítima.
O delegado reforçou o apelo para que outras possíveis vítimas dos estupradores procurem a polícia e denunciem. "A adolescente que foi vítima [em Copacabana] saiu do apartamento muito abalada, mas conseguiu contar para o irmão e para a mãe, que não teve dúvida e procurou a polícia", disse. A corporação tentou fazer a prisão em flagrante, mas não encontrou os suspeitos no dia.
Lages destacou que o depoimento da primeira vítima coincidiu com as lesões identificadas no exame de corpo de delito. "Ela tinha lesões no órgão sexual, nas costas, nas nádegas, inclusive uma suspeita de fratura na costela. Isso foi constatado pelo legista", revelou, acendendo o alerta para a gravidade do caso.
Acusados e foragidos
Dois dos envolvidos já se entregaram à polícia: Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, este último reconhecido pela primeira vítima. A defesa de João Gabriel afirma que ele nega o crime e confia na Justiça para apurar os fatos. Outros dois acusados seguem foragidos: Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti. Vitor é filho do subsecretário de governança da Secretaria de Desenvolvimento e Direitos Humanos, José Carlos Simonin, que será exonerado ainda nesta terça-feira, segundo informou o governo do estado.
O adolescente infrator, responsável por atrair a primeira vítima por conhecê-la no Pedro II, ainda não tem mandado de prisão expedido. A expectativa da polícia é que os dois foragidos se apresentem nas próximas horas. Todos os investigados estão no país.
O delegado Antônio Lages aproveitou para fazer um alerta sobre a importância do respeito nas relações afetivas e sexuais. "O que deve ficar claro, principalmente para os meninos, é que não é não. Isso é fundamental. A vítima do primeiro caso deixou muito claro, a todo momento, que não se relacionaria com mais ninguém além do adolescente", enfatizou.
Os acusados podem se apresentar em qualquer delegacia do estado. A Agência Brasil não conseguiu contato com as defesas dos demais réus, e o espaço permanece aberto para manifestações.