Embaixador do Brasil no Irã relata tensão e ataques diários: "Momento de muita apreensão"
André Veras Guimarães afirma que, apesar da violência, ainda há condições de permanecer em Teerã, mas avalia ser "muito cedo" para retirada da equipe
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O embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, relatou à imprensa, nesta segunda-feira (2), o cenário de tensão em Teerã após os ataques coordenados por Estados Unidos e Israel contra o país persa. Segundo ele, o único brasileiro que deixou o Irã até o momento é um treinador de futebol que saiu por meios próprios pela fronteira com a Turquia.
Guimarães explicou que a orientação do governo brasileiro é prestar assistência aos cidadãos, proteger a equipe da embaixada e manter o governo informado para que as avaliações sobre a permanência no país sejam feitas com base em dados concretos. "A cada momento, a gente tem que avaliar e sentir se há condições de permanência. Até agora, os objetivos são militares, governamentais. Não há falta de energia, de água, os mercados ainda estão abastecidos, pouquíssimas pessoas nas ruas. Então, ainda é possível permanecer, mas existe sempre o risco do efeito colateral", afirmou.
Apesar da aparente normalidade em alguns setores, o embaixador descreveu um clima de "muita apreensão, muita tensão e uma certa ansiedade". "Os ataques são diários. Agora mesmo estão atacando, atacaram há 1 hora, sempre com ataques muito violentos, bombas muito potentes", relatou.
Segundo Guimarães, os bombardeios têm como alvo estruturas do exército, da Guarda Revolucionária e do Estado iraniano, mas "nunca fica certo qual prédio tem relação com qualquer um desses objetivos".
Na avaliação do diplomata, é muito difícil acreditar que os ataques consigam derrubar o atual regime iraniano, como declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "O sistema é muito bem estabelecido, muito enraizado e não me parece, estando aqui e observando, seguindo a política deles, que isso fará o regime cair", disse.
Guimarães lembrou que o sistema político iraniano foi construído ao longo de quatro décadas e possui mecanismos constitucionais para substituição de autoridades, que agora serão empregados. No último sábado (28), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi assassinado durante os ataques. No domingo (1º), foi anunciada a formação de um órgão colegiado para substituí-lo.
O embaixador reforçou que, por enquanto, a embaixada brasileira segue em funcionamento, monitorando a situação e prestando assistência aos cidadãos brasileiros que ainda estão no país.