Suplemento para foco e desempenho mental pode reduzir longevidade em homens, aponta estudo
Pesquisa com mais de 270 mil pessoas associou níveis elevados de tirosina a quase um ano a menos de vida no sexo masculino; efeito não foi observado em mulheres
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Um aminoácido amplamente utilizado como suplemento para melhorar foco e desempenho mental entrou na mira da ciência por um possível efeito colateral preocupante: a redução da longevidade masculina. A associação foi apontada em um estudo publicado em outubro de 2025 na revista Aging-US, com base em dados de mais de 270 mil participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados biomédicos do mundo.
Pesquisadores da Universidade de Hong Kong e da Universidade da Geórgia analisaram a relação entre os níveis sanguíneos de fenilalanina e tirosina e o risco de morte ao longo do tempo. Inicialmente, ambos os compostos pareciam associados à maior mortalidade, mas, após refinamento dos dados, apenas a tirosina manteve ligação significativa com menor expectativa de vida — e exclusivamente em homens.
Os resultados indicam que homens com níveis elevados de tirosina podem viver, em média, quase um ano a menos do que aqueles com concentrações mais baixas. Entre as mulheres, nenhuma relação foi encontrada. Os pesquisadores ajustaram os dados para fatores como níveis de fenilalanina e outros marcadores, e a associação se manteve. Homens, de modo geral, apresentam níveis mais altos de tirosina do que mulheres, o que pode ajudar a explicar parte da desigualdade na expectativa de vida entre os sexos.
A tirosina é encontrada em alimentos ricos em proteína e também comercializada como suplemento para melhorar humor, motivação e concentração, por ser precursora da dopamina. Os cientistas ainda não sabem exatamente por que o aminoácido pode impactar negativamente a longevidade masculina, mas levantam hipóteses como influência na resistência à insulina e nos hormônios ligados ao estresse — sistemas que funcionam de forma diferente entre homens e mulheres.
O estudo não avaliou diretamente usuários de suplementos, portanto não é possível afirmar que o consumo isolado reduza a expectativa de vida. No entanto, os resultados acendem um alerta sobre o uso prolongado e sem orientação dessas substâncias, frequentemente divulgadas como soluções milagrosas nas redes sociais. Os autores sugerem que pessoas com níveis altos de tirosina considerem ajustes na alimentação, como evitar excesso de proteínas, e reforçam a necessidade de mais pesquisas para confirmar os achados e orientar mudanças seguras no estilo de vida.