Homem que matou ex a facadas em shopping já a perseguia há quase um ano; mensagens mostravam ameaças de morte e envio de fotos íntimas
Cássio Henrique Zampieri, de 25 anos, não aceitava o fim do namoro com Cibelle Monteiro Alves, de 22, e chegou a enviar nudes dela ao grupo de trabalho da vítima
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Quase um ano antes de matar a ex-namorada a facadas dentro da joalheria onde ela trabalhava, em São Bernardo do Campo (SP), Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, já vinha perseguindo e ameaçando a jovem de forma implacável. O Fantástico e o g1 tiveram acesso a vídeos, áudios, fotos e mensagens que comprovam a obsessão do criminoso por Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, assassinada na última quarta-feira (25) dentro da Vivara do Shopping Golden Square.
De acordo com a delegacia que investiga o caso, Cássio não aceitava o fim do namoro de cinco anos, ocorrido em abril de 2025. A partir daí, passou a perseguir a jovem, que registrou boletins de ocorrência por violência doméstica. A Justiça chegou a conceder uma medida protetiva para que ele não se aproximasse dela, mas a decisão não foi suficiente para conter a obsessão do agressor.
Cássio continuava enviando mensagens por WhatsApp e até por PIX para ameaçar a ex. Numa das trocas, Cibelle escreveu: "Eu não quero mais contato com você". Ele respondeu: "Problema teu. Quem decide isso não é só você. E eu já falei".
Em outro trecho, ele dispara: "Que morra mesmo. Eu quero é que se f*". Também enviou fotos íntimas de Cibelle para o grupo de WhatsApp da loja onde ela trabalhava, numa tentativa de humilhá-la publicamente. "Dessa vez eu vou postar e deixar até você vir pedir desculpas (...) Vai ver o que é inferno de verdade", escreveu numa mensagem via PIX.
Em áudios enviados a amigas, Cibelle descrevia o medo que sentia. "Meu ex tá na portaria da minha casa, mano. Parece cena de filme de terror. É sério", relatou. "Liguei pra polícia. Eu tô com medo de verdade".
Ela também expressou a sensação de impotência diante da medida protetiva: "A medida só funciona se ele for pego em flagrante. Ele precisa me bater pra acontecer alguma coisa".
O crime
Na última quarta-feira, Cássio entrou na joalheria com uma faca e uma arma falsa escondidas na mochila. Cibelle tentou fugir, mas foi perseguida e esfaqueada diversas vezes, principalmente na região do pescoço. Clientes e funcionárias correram assustados.
A polícia foi acionada e tentou conter o criminoso. Como ele não se entregava e apontava a arma (que ainda não se sabia ser uma réplica), os policiais atiraram na perna dele. Testemunhas filmaram os momentos de tensão, negociação e os disparos.
Cássio foi internado sob escolta em um hospital, onde permanece em estado estável. A Justiça decretou sua prisão preventiva. Assim que receber alta, será transferido para um Centro de Detenção Provisória (CDP).
Durante o cerco policial, Cássio gravou vídeos e áudios para familiares confessando o crime. "Eu matei a Cibelle. E eu vou morrer agora. Eu vou me matar", disse numa das gravações. "Eu tô dentro da loja. O único jeito agora é eles me matar. Eu tô com a peça, eles não sabem [que é falsa]. Eu vou morrer, irmão".
Para a polícia, o conteúdo mostra que o crime foi premeditado. O caso segue sendo investigado pelo 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo.
O Shopping Golden Square lamentou a morte da funcionária e afirmou que está oferecendo apoio à família. A Vivara também se manifestou, dizendo que presta auxílio aos pais da vítima.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Cássio.