31 de julho de 2025
ASTRONOMIA

Lua de Sangue: eclipse total acontece na terça-feira (3), mas Brasil terá visibilidade limitada; saiba como observar

Fenômeno começa às 5h44 (horário de Brasília), mas fase total só será visível em países do Pacífico; região Norte terá as melhores condições de observação no país

Por Redação
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Saiba como será a Lua de Sangue na próxima terça-feira - Foto: Arquivo/Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Na próxima terça-feira (3), um novo eclipse lunar total promete encantar os amantes da astronomia ao redor do mundo. Conhecido popularmente como "Lua de Sangue", o fenômeno ocorre quando há um alinhamento perfeito entre Sol, Terra e Lua, projetando a sombra da Terra sobre o satélite natural e conferindo a ela uma tonalidade avermelhada.

No entanto, a notícia não é animadora para a maior parte do território brasileiro. O país não estará na posição geográfica ideal para acompanhar o espetáculo completo.

O que é a Lua de Sangue?

O astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica o fenômeno: "A Terra se coloca entre o Sol e a Lua. Então a Lua fica atrás da sombra que a Terra projeta. É um alinhamento desses três corpos."

No eclipse parcial, vemos a sombra da Terra avançando sobre o disco lunar, como uma "mordida" escurecendo a Lua cheia. Já no eclipse total, o efeito é ainda mais impressionante.

"Quando ela está perfeitamente alinhada, a luz do Sol não consegue mais chegar diretamente à superfície da Lua. Mas atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá. Só a parte vermelha da luz consegue passar, enquanto a azul é espalhada. Por isso a Lua fica avermelhada, como no pôr do sol", detalha Thiago.

O apelido "Lua de Sangue" não é um termo científico, mas uma expressão popular que traduz bem o efeito visual provocado pela filtragem atmosférica.

O que o Brasil vai ver?

Para a maior parte do país, a observação será limitada. "Infelizmente, na maior parte do Brasil a gente só vai ver o eclipse penumbral, que é um leve escurecimento da Lua cheia e que é um efeito difícil de perceber", afirma o astrônomo.

Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorre por volta das 6h da manhã, com a Lua muito baixa no horizonte oeste e próximo ao nascer do Sol, o que dificulta ainda mais a visualização.

A situação melhora levemente na região Norte. No Acre, Rondônia e oeste do Amazonas, será possível acompanhar parte do eclipse parcial. "No Acre, por volta das 5h da manhã, já começa a ser possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento ocorre perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta", explica Thiago.

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, detalha que, no extremo oeste do país, o encobrimento poderá chegar a 96% — muito próximo da totalidade, mas ainda tecnicamente classificado como parcial.

Cronograma do eclipse (horário de Brasília):

  • 5h44 – início do eclipse penumbral (leve escurecimento, difícil de perceber)
  • 6h50 – início do eclipse parcial (quando a "mordida" começa a aparecer)
  • 8h04 às 9h02 – fase total (não visível no Brasil)

O Brasil não verá a fase total porque, quando ela ocorrer, a Lua já estará abaixo do horizonte para nós. As condições ideais de observação estarão no Pacífico, em países como Nova Zelândia e Fiji.

Próximos eclipses visíveis no Brasil

Segundo Josina Nascimento, eclipses lunares são relativamente frequentes no Brasil, mas será preciso esperar alguns anos para rever um espetáculo completo. "Somente na noite de 25 para 26 de junho de 2029 o Brasil terá um eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em todo o país", destaca.

Ainda em 2026, haverá um eclipse parcial quase total (93% de magnitude) visível em todo o território nacional na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais, e em 2028 haverá eclipses parciais, mas nenhum total visível no Brasil.

Dicas para observação

Para quem estiver nas regiões com melhor visibilidade (Norte e extremo oeste), a recomendação é buscar um local com horizonte oeste livre de obstáculos, como prédios ou montanhas, e olhar para o céu na direção onde a Lua se põe. Não é necessário nenhum equipamento especial, mas binóculos podem ajudar a perceber melhor o escurecimento parcial.