31 de julho de 2025
eleições 2026

Pesquisa que mostra empate com Flávio Bolsonaro leva equipe de Lula a defender guinada ao centro

Assessores do presidente defendem diálogo com eleitorado moderado e ajustes no discurso de segurança pública e na comunicação com evangélicos

Por Redação
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Assessores do presidente defendem diálogo com eleitorado moderado e ajustes no discurso de segurança pública e na comunicação com evangélicos - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A pesquisa Atlas/Bloomberg que aponta empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto. De acordo com apuração da CNN, assessores do presidente no governo e no PT passaram a defender uma guinada ao centro na pré-campanha.

A estratégia consistiria, por exemplo, em ampliar o diálogo com o eleitorado moderado independente de centro, segmento que tem decidido as últimas eleições, sem, no entanto, abandonar bandeiras históricas do petismo.

Um dos pontos citados como prioritários é a pauta da segurança pública. A avaliação interna é que o governo Lula ainda não conseguiu apresentar um discurso convincente para o eleitorado sobre o tema, apontado em pesquisas como a maior preocupação do brasileiro.

Uma fonte ouvida pela CNN ressaltou que não se trata de adotar o discurso radical da direita — como a máxima de que "bandido bom é bandido morto" —, mas de ser mais firme na defesa da punição a criminosos.

"É possível ser mais duro no combate ao crime sem abandonar os direitos humanos", resumiu um interlocutor.

Outro ponto sensível é a tentativa de melhorar a relação com o eleitorado evangélico. O desfile da Acadêmicos de Niterói, que criticou o público conservador, foi citado como um entrave nessa aproximação.

A avaliação de assessores é que não bastam encontros com lideranças já alinhadas ao Planalto, como o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). Seria necessário buscar diálogo com nomes de maior penetração entre os evangélicos, como Otoni de Paula (MDB-RJ).

Comunicação digital é criticada


A estratégia digital do governo também foi alvo de críticas por parte de interlocutores do presidente. O caso do desfile da Acadêmicos de Niterói é apontado como exemplo da dificuldade da pré-campanha em partir para o embate contra a oposição.

Um documento interno do governo, ao qual a CNN teve acesso, mostrou que as menções ao samba-enredo ganharam tração principalmente a partir de perfis associados à oposição e páginas humorísticas, com sátiras e críticas.

O levantamento apontou que os 500 posts mais engajados sobre o tema, apenas no Instagram, somaram cerca de 3,5 milhões de interações. A narrativa predominante convergia para a acusação de crime eleitoral pelo uso de recursos públicos, com expectativa de eventual punição ao presidente.

Forças nas redes são desfavoráveis


O estudo também mapeou o desempenho de parlamentares alinhados ao governo nas redes sociais. Dos 15 considerados mais fortes, apenas uma é próxima à esquerda: a deputada Tabata Amaral. Os demais são todos ligados ao campo político de Flávio Bolsonaro.

Entre os ministros, o desempenho digital também é considerado fraco, com exceção de Guilherme Boulos e Gleisi Hoffmann, que mantêm engajamento expressivo.

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