31 de julho de 2025
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Foragido, Oruam lança música com tornozeleira eletrônica e provoca Justiça: "Pagando pecado que nem é meu"

Em "Freestyle de um Foragido", filho de Marcinho VP se autodenomina "revolução de um povo" e cita perseguição

Por Redação
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Oruam segue foragido. - Foto: Reprodução

Foragido desde o início de fevereiro, o rapper Oruam lançou uma nova música nesta terça-feira (24) em que aborda sua situação judicial e provoca as autoridades. No clipe de "Freestyle de um Foragido", Mauro Davi Nepomuceno dos Santos, de 25 anos, aparece em um quarto exibindo a tornozeleira eletrônica e entoa versos em que se define como uma "revolução" e afirma estar pagando por crimes que não cometeu.

"Eu não vim pra ser qualquer um / Não faço essa porra por ego / Sou a revolução de um povo que não tinha nada / sou a rebelião de uma multidão que tá cansada / foda é quando o monstro tá tentando te pegar", canta o artista. Em outro trecho, Oruam declara: "Eu sei não sou bandido / O foda é que eu conheço alguns". O rapper também faz referência direta ao pai, Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho preso desde 1996: "Acho que estou lutando a guerra do meu pai / Acho que estou pagando um pecado que nem é meu".

A letra ainda provoca a perseguição que alega sofrer: "Acho que o culpado sou eu / Esperar algo em troca de alguém que só quer me matar". O lançamento ocorre em meio ao agravamento de sua situação judicial.

O caso

Oruam é réu em ação penal por tentativa de homicídio qualificado contra o delegado Moysés Santana Gomes e o oficial de cartório Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O crime teria ocorrido em 22 de julho de 2025, quando agentes foram à casa do rapper, no bairro do Joá, Zona Oeste do Rio, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente infrator ligado ao Comando Vermelho. Segundo a denúncia, Oruam e outras pessoas arremessaram pedras de grande porte contra os policiais, que ficaram feridos.

O funkeiro chegou a ficar preso por dois meses, mas foi solto em setembro de 2025 por meio de um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), passando a usar tornozeleira eletrônica e cumprir medidas cautelares.

As violações e a nova prisão

A liberdade, no entanto, durou pouco. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) registrou 66 ocorrências de violação do monitoramento eletrônico desde a instalação do equipamento, sendo 21 delas consideradas graves apenas em 2026. Os relatórios apontam longos períodos com a tornozeleira desligada ou descarregada, especialmente durante a noite e fins de semana, o que comprometeu o controle judicial.

Diante do histórico, o ministro Joel Ilan Paciornik, do STJ, revogou a liminar que beneficiava o artista no dia 2 de fevereiro. Para o magistrado, a conduta do rapper "extrapola, em muito, um mero 'problema de carregamento'" e compromete a fiscalização, representando "risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal" . No dia seguinte, a juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Rio, decretou a prisão preventiva do cantor, que não foi encontrado em sua residência e segue foragido desde então.

A defesa e a saúde do artista

A defesa de Oruam, representada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso, alega que as falhas no monitoramento decorrem de problemas técnicos no equipamento, e não de má-fé. Segundo os advogados, o cantor chegou a ser chamado à Seap para trocar a tornozeleira, e o dispositivo substituído foi encaminhado para perícia.

Em um movimento recente, a equipe jurídica apresentou à Justiça um laudo psiquiátrico atestando que o rapper sofre de "Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Ajustamento e Transtorno Depressivo Moderado". O documento alerta para o "risco de agravamento de seu quadro mental diante da possibilidade de estar em ambiente prisional" e informa que o artista faz uso de medicação controlada . A defesa, no entanto, não informou se ou quando Oruam pretende se entregar.

Repercussão e buscas

A Polícia Civil do Rio realiza diligências em diferentes endereços ligados ao cantor para cumprir o mandado, incluindo sua residência na Freguesia de Jacarepaguá, mas até o momento ele não foi localizado. Fontes da corporação trabalham com a hipótese de que Oruam possa estar escondido em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio, na Baixada Fluminense ou até no Ceará.

Enquanto isso, nas redes sociais, a mãe do rapper, Márcia Nepomuceno, publicou uma mensagem defendendo o filho e pedindo que ele se entregue: "Eu sou mãe, mas sou a favor da lei, sou a favor do certo. Eu quero que ele se entregue" . A publicação recebeu apoio de MC Poze do Rodo, outro funkeiro com histórico de conflitos com a Justiça.

Com mais de 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify, Oruam viu sua carreira desandar nos últimos meses. Em 2024, chegou a se apresentar no Lollapalooza e no Rock in Rio, mas a polêmica aumentou quando usou o palco para pedir a liberdade do pai, uma afronta que chamou a atenção das autoridades e do público . Agora, foragido, o artista tenta, na música, construir uma narrativa de perseguição, enquanto a Justiça aguarda seu paradeiro.

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