México busca retomar normalidade após morte de líder do Cartel Jalisco
Escolas fecharam, transporte público operou com restrições e longas filas se formaram em supermercados em Guadalajara
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Na esteira da onda de violência desencadeada pela morte no domingo (22) do narcotraficante Nemesio Oseguera, o "El Mencho", líder do temido Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), o estado de Jalisco, no México, busca retomar a rotina. Com cautela, os moradores começaram a sair de casa para comprar comida, encher tanques de gasolina e abastecer suas casas com itens indispensáveis.
As ruas ficaram quase completamente vazias nas horas anteriores, em vista da reação violenta de grupos criminosos à operação militar contra o líder do cartel. El Mencho foi ferido na ação e morreu durante o traslado aéreo para um hospital. Em resposta, o cartel bloqueou estradas, incendiou veículos, atacou estabelecimentos e enfrentou as autoridades em 20 dos 32 estados do país. As ações coordenadas foram uma expressão de vingança pela morte do seu chefe, que estava na mira dos Estados Unidos.
Em Guadalajara, capital de Jalisco e uma das três maiores cidades mexicanas, as escolas permaneceram fechadas na segunda-feira, assim como em uma dezena de estados. O transporte público foi reativado parcialmente, com ônibus levando ainda poucos passageiros. O Aeroporto Internacional de Guadalajara registrou grande movimento de passageiros, com atrasos em todos os voos de saída.
Longas filas por comida
Nos poucos estabelecimentos comerciais que abriram as portas, formaram-se longas filas, enquanto as pessoas faziam compras maiores do que o habitual, para o caso de precisarem se manter em casa por tempo prolongado. Em supermercados, os carrinhos se tornaram insuficientes para a multidão de clientes, com muitos levando suas compras em caixas de papelão ou comprando cestos de roupa para carregar os produtos.
"As pessoas estão com medo", disse Juan Soler, aposentado de Guadalajara, descrevendo o fechamento de farmácias e da maioria dos estabelecimentos comerciais.
"Ficamos trancados, em pânico, e não queríamos sair. Não consegui dormir", relatou María de Jesús González, enquanto aguardava sua vez em uma fila. "Agora estou um pouco mais tranquila, mas ainda com um pouco de medo."
Reforço militar
As autoridades mobilizaram cerca de 10 mil militares para proteger a população. Nas ruas de Guadalajara, equipes trabalharam por várias horas na retirada de veículos reduzidos a estruturas metálicas retorcidas e chamuscadas. No caminho que leva à localidade de Tapalpa, onde o chefe do cartel foi localizado pelos militares, os bloqueios feitos por homens armados do cartel continuavam na segunda-feira.
Com 12.575 desaparecidos, segundo cifras oficiais, Jalisco é um dos estados mais afetados pela violência no México. Mais da metade dos casos correspondem a Guadalajara e sua área metropolitana, a segunda maior cidade do país e uma das três sedes mexicanas da próxima Copa do Mundo.
"Creio que não há nada a comemorar, me parece muito grotesco que essa festa futebolística seja realizada", diz à AFP Carmen Ponce, de 26 anos, que busca seu irmão Víctor Hugo, desaparecido em 2020.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta terça-feira que não há riscos para o torneio. A FIFA não quis comentar o assunto.