31 de julho de 2025
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MC Negão Original é citado em operação contra golpes digitais e segue promovendo bets nas redes

Funkeiro é investigado na operação “Fim da Fábula”, que apura esquema de R$ 100 milhões com uso de fintechs e plataformas de apostas

Por Redação
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João Vitor Ribeiro, conhecido artisticamente como MC Negão Original - Foto: Reprodução / Redes Sociais

O cantor MC Negão Original, nome artístico de João Vitor Ribeiro, passou a figurar entre os alvos da operação “Fim da Fábula”, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura um esquema de golpes digitais com movimentação estimada em R$ 100 milhões em todo o país.

A ação é coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em parceria com o Ministério Público de São Paulo. Ao todo, são cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão temporária em cidades de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A Justiça também determinou bloqueio de bens e restrição de contas bancárias ligadas aos investigados.

Segundo as apurações, o grupo criminoso teria estruturado um sistema de lavagem de dinheiro com uso intensivo de fintechs e plataformas de apostas on-line (bets). Após convencer vítimas a realizar transferências em golpes como “falso advogado”, “golpe do INSS” e “mão fantasma”, os valores eram rapidamente pulverizados por meio de contas digitais, muitas abertas com documentos de terceiros ou identidades falsas.

A alta rotatividade dessas contas e a facilidade de abertura em instituições digitais permitiriam que o dinheiro circulasse em dezenas ou centenas de transações em poucos minutos, dificultando o rastreamento. Empresas de fachada também teriam sido usadas para emitir notas fiscais frias e dar aparência de legalidade aos recursos.

Dentro desse contexto, trechos de músicas atribuídas ao artista passaram a integrar as linhas de investigação. As letras fazem referência a cartões clonados e transferências via Pix, elementos que, segundo investigadores, dialogam com práticas sob apuração.

Até o momento, MC Negão Original não foi preso. A defesa, representada pelo advogado Robson Cyrillo, informou que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação, o que impossibilita uma análise técnica detalhada das acusações.

Natural de São Paulo, João Vitor costuma relatar uma trajetória marcada por contrastes. Em entrevistas, afirmou que entrou no crime ainda jovem por necessidade financeira, diante da escolha entre ajudar a mãe ou continuar os estudos.

Antes da projeção no funk, teve vínculo com a igreja evangélica e atuou como pregador na adolescência. No mesmo período, segundo declarou, também se envolveu com atividades ilícitas, como tráfico e golpes on-line, fase que descreveu como parte de um processo de transformação pessoal.

A projeção nacional começou com vídeos nas redes sociais relatando histórias da periferia. Com milhões de seguidores, passou a investir na carreira musical e se consolidou no chamado “proibidão” paulista — vertente do funk com letras que retratam ostentação, cotidiano das periferias e referências ao crime, o que frequentemente gera debates sobre liberdade de expressão e limites narrativos no gênero.

O artista também participou da série DNA do Crime e já manifestou interesse em seguir carreira como ator. Em publicações, afirma tentar separar a figura artística da vida pessoal e se descreve como espiritualizado.