31 de julho de 2025
ostentação

MC Negão Original é alvo de operação contra esquema que lavou R$ 100 milhões com golpes digitais

Cantor de funk que ostenta luxo nas redes e acumula mais de 11 milhões de ouvintes mensais tem endereços vasculhados pelo Deic; quadrilha usava bets e fintechs para esconder dinheiro de fraudes como "golpe do INSS"

Por Redação
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Como Mc Negão Original, é alvo da operação policial “Fim de Fábula” - Foto: Reprodução/Instagram

O cantor de funk João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, é um dos alvos da operação "Fim de Fábula", deflagrada na manhã desta terça-feira (24) pelo Departamento de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo. A ação mira um esquema criminoso responsável por aplicar golpes em larga escala e lavar aproximadamente R$ 100 milhões obtidos com fraudes digitais em todo o país. Dois endereços ligados ao funkeiro na capital paulista foram alvos de mandados de busca e apreensão.

MC Negão Original, que ostenta uma vida de luxo nas redes sociais, acumula números expressivos nas plataformas digitais. No Instagram, o artista mantém duas contas com mais de 2 milhões de seguidores cada. No Spotify, soma mais de 11 milhões de ouvintes mensais, impulsionado por hits como "Medley de Igaratá" e "Pirocada Quente". Seu álbum "A Nata de Tudo – A Ovelha Negra" chegou ao topo do ranking global de estreias da plataforma.

Natural de São Paulo, o funkeiro já definiu sua trajetória como "irônica" em entrevistas, por ter passado pelo crime, pela igreja e pelo funk. Em março de 2025, ele revelou ao Metrópoles que viveu no mundo criminoso quando mais novo por "falta de opção". "Houve um momento em que precisei escolher entre estudar ou ajudar minha mãe. E, naquela época, a única alternativa viável para mim era essa", disse. A conversão veio após uma experiência marcante com a fé, segundo ele: "Não em questão de droga, mas de hierarquia mesmo. E foi aí que decidi seguir um caminho melhor."

A operação "Fim de Fábula" cumpre 120 mandados de busca e apreensão e 53 ordens de prisão temporária, além do bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens dos investigados. A ação é coordenada pelo Deic, por meio da Divisão de Crimes contra o Patrimônio, em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), via Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp).

Segundo as investigações, a quadrilha estruturava um esquema financeiro sofisticado baseado no uso intensivo de fintechs e plataformas de apostas on-line (bets) para lavar o dinheiro obtido com as fraudes. Entre os golpes aplicados estão o "golpe do INSS", o "golpe do falso advogado" e o "golpe da mão fantasma". O esquema também envolvia cartões clonados, falsas centrais telefônicas e clonagem de chaves Pix.

Os investigadores identificaram ao menos 36 imóveis ligados aos suspeitos, além de centenas de veículos e embarcações, muitos registrados em nome de laranjas ou empresas de fachada. A Justiça determinou ainda o bloqueio de 86 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, com limite individual de até R$ 100 milhões.

A operação ocorre simultaneamente em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. No estado paulista, os mandados são cumpridos na capital e em cidades como Ferraz de Vasconcelos, Arujá, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Santo André, São José do Rio Preto, Praia Grande, São Vicente, Atibaia e Guarulhos. Em Minas, as ações acontecem em Capitólio, Belo Horizonte e Nova Lima, além de Brasília. Cerca de 400 policiais civis e promotores de Justiça participam da operação.