31 de julho de 2025
ENTREVISTA

Guilherme Boulos defende fim da escala 6x1 e redução da jornada para 40 horas semanais

Ministro afirma que proposta é prioridade do governo Lula e prevê resistência empresarial

Por Redação
Publicado em
Acabar com a escala 6x1 é prioridade do governo, afirma Boulos - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta segunda-feira (23) que o fim da escala 6x1 é uma das principais prioridades do governo federal em 2026. A declaração foi dada durante participação no programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo Boulos, a proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê o fim da jornada de seis dias consecutivos de trabalho com apenas um de descanso. A ideia é estabelecer o modelo 5x2, garantindo pelo menos dois dias livres por semana, além da redução da jornada máxima para 40 horas semanais, sem redução de salário.

O ministro reconheceu que há forte resistência por parte do setor empresarial, mas afirmou que isso já ocorreu em outros momentos históricos. Ele citou como exemplo a criação do salário mínimo, do 13º salário e das férias remuneradas, medidas que também enfrentaram oposição antes de serem consolidadas na legislação trabalhista.

Boulos também destacou que a aprovação da PEC da Segurança Pública está entre as prioridades do governo, com o objetivo de viabilizar a criação de um Ministério da Segurança Pública com atribuições definidas em lei.

Outro ponto abordado foi a regulamentação do trabalho por aplicativos. O ministro defendeu a criação de regras que estabeleçam percentuais fixos de repasse às empresas que operam plataformas de transporte, argumentando que atualmente as companhias ficam com uma parcela considerada excessiva do valor das corridas, enquanto os motoristas assumem os custos operacionais.

Segundo ele, o debate também inclui entregadores por aplicativo. No fim de 2025, a Secretaria-Geral anunciou a criação de um grupo de trabalho para elaborar propostas de regulamentação trabalhista para a categoria.

Além das pautas trabalhistas, Boulos informou que retorna a Brasília para participar de reunião com lideranças indígenas do Pará que protestam contra o Decreto nº 12.600/2025, que incluiu hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. Representantes indígenas alegam que a medida pode trazer impactos ambientais e sociais negativos.

O ministro afirmou que defende que o governo atenda às reivindicações indígenas, mas destacou que qualquer decisão dependerá de debate com outros ministérios envolvidos na elaboração do decreto.

Leia também