31 de julho de 2025
homenagem

Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados 30 anos após tragédia; saiba o motivo

Restos mortais de Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio serão cremados e transformados em árvores no Cemitério Primaveras, em Guarulhos

Por Redação
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Corpos dos Mamonas Assassinas serão exumados após 30 anos - Foto: Divulgação

Três décadas após o acidente aéreo que chocou o país e interrompeu a trajetória meteórica da banda Mamonas Assassinas, os corpos dos cinco integrantes serão exumados. A cerimônia está marcada para esta segunda-feira (23/2) no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, onde Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli estão sepultados desde 1996. O objetivo, segundo familiares, é cremar os restos mortais e dar início à criação do Jardim BioParque Memorial Mamonas, um espaço que promete unir memória afetiva e preservação ambiental.

Além dos cinco músicos, o local também abriga o corpo do segurança Sérgio Saturnino Porto, sexta vítima da tragédia. Até o momento, não há confirmação se ele também passará pelo mesmo processo. A iniciativa do memorial, no entanto, é pioneira e vai além da homenagem póstuma à banda. De acordo com Jorge Santana, CEO da marca Mamonas e primo do vocalista Dinho, o conceito prevê que as cinzas resultantes da cremação sejam utilizadas no plantio de árvores nativas. "É um lindo projeto onde temos um Memorial Mamonas Assassinas cheio de lembranças boas com fotos. Cada árvore irá representar um artista! Algo inovador que, depois de trinta anos, nós, os familiares, resolvemos aderir", explicou.

O Jardim BioParque Memorial Mamonas será implantado no próprio cemitério e funcionará como um espaço de silêncio, memória e presença. Mas o projeto também terá um alcance comunitário: moradores de Guarulhos poderão utilizar as cinzas de seus próprios entes queridos para plantar árvores no local. A ideia é transformar a dor da perda em um ciclo de renovação e vida, integrando a lembrança dos artistas à natureza. "Para a gente, Mamonas continua sendo um motivo de muito orgulho, onde a memória tem e deve ser preservada", completou Jorge Santana.

A tragédia que vitimou a banda completa 30 anos em 2 de março, mas a comoção popular permanece viva na memória de fãs e admiradores. Na madrugada de 2 de março de 1996, o jatinho que transportava o grupo caiu na Serra da Cantareira, interior de São Paulo, matando todos os ocupantes. O fotógrafo Fernando Cavalcanti, então repórter do extinto jornal Notícias Populares, foi o primeiro profissional da imprensa a chegar ao local. Em um relato publicado no El País em 2018, ele relembrou os bastidores da cobertura que marcou sua carreira e a história do jornalismo policial no Brasil.

Com apenas um filme de 36 poses, Cavalcanti precisou se esconder no mato para registrar os destroços e os corpos espalhados pela serra. "Minhas fotos mais famosas ainda são as dos pedaços dos corpos dos Mamonas Assassinas espalhados no mato ao redor dos destroços", escreveu. As imagens, publicadas na primeira página do NP, bateram recordes de tiragem, mas também geraram revolta, ameaças e um debate ético que acompanha o fotógrafo até hoje. "Nunca me culpei por ter feito aquelas fotos. Já mudei de opinião várias vezes sobre a publicação delas. Hoje, tenho certeza de que pertencem ao lado do entretenimento — e não do jornalismo."

Cavalcanti também relembra o caos que tomou conta da redação nos dias seguintes. Um homem chegou a aparecer com uma mão em decomposição embrulhada num saco plástico, encontrada no mato como "souvenir" do acidente. A redação virou um centro de peregrinação, com uma exposição interna das "melhores fotos" que atraiu tanta gente que precisou ser suspensa. Mesmo com o sucesso da cobertura, o fotógrafo não foi contratado e, menos de um ano depois, se mudou para Londres.

Em sua reflexão, ele pondera sobre a natureza do jornalismo popular da época: "Publicávamos mortos todo dia. Quase sempre pobres. Às vezes havia denúncia. Outras vezes, as fotos só serviam para saciar a curiosidade mórbida dos leitores. E para vender mais jornal." Três décadas depois, a memória dos Mamonas Assassinas será celebrada de forma inédita, transformando a tragédia em um legado verde e silencioso. A reação de quem encontra o fotógrafo e descobre sua história, no entanto, permanece a mesma: "Nossa, foi você?"