31 de julho de 2025
SAÚDE

Mpox no Brasil: o que é a doença, como ocorre a transmissão e se há risco de novo surto em 2026

Casos seguem sob monitoramento do Ministério da Saúde; especialista afirma que não há risco de pandemia, mas reforça prevenção

Por Redação
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Mpox - Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

A mpox voltou ao centro das atenções após novos registros da doença em diferentes estados brasileiros. De acordo com o Ministério da Saúde, o país contabilizou 2.022 casos em 2024 e 1.047 notificações em 2025. Em 2026, até o momento, o Painel Mpox registra 46 casos confirmados.

O aumento da circulação do vírus em meio a grandes eventos, como o Carnaval — período marcado por aglomerações e intensa movimentação de turistas — reacende o alerta sobre a possibilidade de surtos regionais. No entanto, especialistas avaliam que o cenário atual não indica risco de uma nova pandemia.

O virologista e professor da Universidade de São Paulo Paulo Brandão afirma que, apesar da necessidade de vigilância, a mpox não apresenta características de doença com alto potencial pandêmico neste momento.

O que é mpox e como acontece a transmissão

A mpox é causada pelo vírus MPXV, pertencente ao gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. Trata-se de uma doença zoonótica — ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos, especialmente por roedores silvestres infectados.

Atualmente, porém, a principal forma de transmissão ocorre entre pessoas, principalmente por:

  • Contato direto com lesões na pele
  • Contato com fluidos corporais, como pus e sangue
  • Secreções respiratórias em situações de contato próximo e prolongado
  • Objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis

Diferentemente da covid-19, a mpox não é considerada uma doença de transmissão aérea ampla. O contágio geralmente exige contato físico direto e próximo, o que altera significativamente a dinâmica de disseminação.

Sintomas da mpox: como identificar

Os sintomas costumam surgir entre três e 16 dias após a exposição ao vírus, podendo chegar a 21 dias. As lesões cutâneas aparecem poucos dias depois da febre, embora em alguns casos possam surgir antes.

Entre os principais sintomas estão:

  • Erupções ou lesões na pele
  • Febre
  • Ínguas (linfonodos inchados)
  • Dor de cabeça
  • Dores musculares
  • Calafrios
  • Fraqueza

As lesões evoluem de manchas para bolhas com líquido, depois formam crostas até a cicatrização completa. A transmissão pode ocorrer desde o início dos sintomas até que todas as lesões estejam totalmente cicatrizadas.

O diagnóstico é feito por exame laboratorial, a partir da coleta de secreção ou crostas das lesões.

Tratamento da mpox

Não há, até o momento, medicamento específico amplamente disponível para o tratamento da mpox. O atendimento é voltado ao controle dos sintomas, especialmente das lesões cutâneas e da dor.

Embora existam antivirais estudados para casos específicos, o tratamento padrão é sintomático. Na maioria dos pacientes, a doença apresenta evolução leve a moderada e dura entre duas e quatro semanas.

Há risco de nova epidemia no Brasil?

Segundo especialistas, não há indicação de pandemia de mpox no Brasil em 2026. Entretanto, surtos localizados podem ocorrer, especialmente em períodos de maior interação social.

Eventos como o Carnaval podem favorecer a transmissão devido ao contato físico intenso e prolongado entre pessoas. Além disso, há a possibilidade de casos importados com diferentes linhagens do vírus.

Apesar disso, o cenário atual é considerado controlado, com monitoramento contínuo pelas autoridades sanitárias.

Vacinação contra mpox: quem pode se imunizar

A vacinação contra mpox no Brasil é direcionada a grupos prioritários com maior risco de formas graves da doença. Segundo o Ministério da Saúde, podem se vacinar:

  • Pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão (CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses), especialmente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais
  • Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus
  • Pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos confirmados, após avaliação da vigilância em saúde

Especialistas reforçam que qualquer pessoa exposta pode se infectar. Ao apresentar sintomas suspeitos, a orientação é procurar uma unidade de saúde, informar possível contato e evitar proximidade com outras pessoas até receber avaliação médica.

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