Desembargador do TRF‑1 suspende obrigação da Meta de revelar manual interno de moderação
João Carlos Mayer Soares revisou determinação que exigia que Facebook entregasse documentos ao MPF, citando risco ao sigilo comercial
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O desembargador João Carlos Mayer Soares, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF‑1), suspendeu uma decisão judicial que obrigava a Meta Platforms Inc., responsável pelas redes sociais Facebook e Instagram no Brasil, a entregar ao Ministério Público Federal (MPF) seu manual interno de moderação de conteúdo.
A liminar assinada por Soares no dia 13 de janeiro, reverteu uma determinação anterior da Justiça de primeira instância que havia exigido a entrega dos documentos detalhando as diretrizes e procedimentos usados pela empresa para avaliar, remover ou restringir conteúdos nas plataformas.
O MPF havia ajuizado uma ação civil pública pedindo os manuais sob a alegação de que eles seriam necessários para apurar a existência de “eventual falha sistêmica na moderação de conteúdos de ódio” no Facebook, mas a Meta recorreu da decisão.
Ao analisar o recurso, o desembargador considerou que a decisão anterior não observou o contraditório prévio e não demonstrou a presença do “perigo na demora” que justificaria a mitigação de garantias constitucionais, como o devido processo legal. Ele entendeu que a determinação poderia causar risco de dano irreparável ao sigilo comercial da empresa e expor estratégias e mecanismos internos que poderiam ser indevidamente explorados.
A suspensão da obrigação de entrega dos manuais é provisória e pode ser revistas tanto pelo TRF‑1 como por instâncias superiores. O processo levanta questões importantes sobre o equilíbrio entre transparência na moderação de conteúdo e a proteção de segredos industriais e operacionais das plataformas digitais.
MEEspecialistas em direito digital observam que casos dessa natureza podem influenciar não apenas a atuação das big techs no Brasil, mas também o debate sobre responsabilidade e fiscalização de plataformas online, especialmente em temas sensíveis como desinformação, discursos de ódio e segurança de usuários.