Síndico preso por homicídio omitiu imagens de sete câmeras do prédio, revela investigação
Daiane Alves foi morta com dois tiros na cabeça; vídeo recuperado do celular dela mostra ataque e contradiz tese de disparo acidental
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O delegado André Luiz Barbosa revelou que o síndico Cléber Rosa de Oliveira, suspeito de matar a corretora Daiane Alves Souza, compartilhou com a polícia imagens de apenas três das dez câmeras de monitoramento do prédio que estavam conectadas ao sistema. A corretora foi morta após ir ao subsolo do edifício onde morava, em Caldas Novas, para restabelecer o fornecimento de energia no apartamento dela. Cléber confessou o crime e está preso; sua defesa afirmou que ele seguirá colaborativo e só se manifestará judicialmente.
De acordo com o delegado, todas as 11 câmeras do prédio estavam funcionando, mas apenas 10 estavam conectadas ao gravador (DVR). Uma funcionava com cartão de memória. Quando a polícia solicitou as imagens, o síndico contratou um prestador de serviços para extraí-las, mas entregou apenas as de três câmeras, e incompletas. "A gente teve que trabalhar sem ter as câmeras de saída, de chegada e sem o fluxo de pessoas", explicou o investigador.
Vídeo do celular contradiz versão do síndico
A polícia conseguiu recuperar um vídeo feito pelo celular de Daiane que mostra o momento do ataque. No dia do crime, ela gravava a queda de energia e enviava a uma amiga, mas o vídeo do ataque não chegou a ser enviado. As imagens mostram Daiane chegando ao subsolo e indo até os quadros de luz, enquanto o síndico a esperava com luvas nas mãos e a caminhonete posicionada estrategicamente. O celular foi localizado pela polícia dentro de uma caixa de esgoto do prédio, após o próprio síndico, já preso, indicar o local — o aparelho ficou submerso por 41 dias.
Em coletiva de imprensa na quinta-feira (19), a Polícia Civil informou que Daiane foi morta com dois tiros na cabeça. A perícia descartou a versão do síndico, que alegou disparo acidental. Testes balísticos mostraram que qualquer tiro no subsolo seria ouvido na recepção — o que não ocorreu — e o luminol encontrou pouco sangue no local, incompatível com um disparo na cabeça. "É incompatível com a sua versão do tiro acidental, incompatível com a suposta legítima defesa", afirmou o delegado.
Desavenças e desaparecimento
Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025. Antes do crime, uma assembleia do condomínio aprovou sua expulsão, mas a Justiça suspendeu a decisão por irregularidades na convocação. A mãe da vítima, Nilse Alves, relatou que a filha tinha desavenças com moradores e processos contra o condomínio. No dia do crime, Daiane avisou uma amiga que iria religar a energia e nunca mais foi vista. Seu corpo permaneceu desaparecido por 41 dias, até ser localizado após a delação do síndico.