31 de julho de 2025
objetos perigosos

Nasa revela existência de 15 mil asteroides "invisíveis" com potencial para devastar cidades

Agência espacial apresenta plano ambicioso com telescópio infravermelho para catalogar 90% dos objetos perigosos até 2037

Por Redação
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Ilustração - Foto: Ilustração de Mark Garlick/Divulgação

Em uma apresentação durante a conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Nasa expôs uma realidade preocupante para a segurança do planeta: cerca de 15 mil asteroides com diâmetro aproximado de 140 metros — tamanho suficiente para destruir uma metrópole inteira — ainda não foram localizados ou identificados pelos sistemas de monitoramento terrestre. O alerta foi feito pela Dra. Kelly Fast, oficial de Defesa Planetária da agência, que resumiu o paradoxo da situação: "Não nos preocupamos tanto com os grandes asteroides dos filmes, porque sabemos onde eles estão".

O problema central reside na invisibilidade desses objetos. Das aproximadamente 25 mil rochas espaciais de porte médio que orbitam próximas à Terra, apenas 40% foram catalogadas até o momento. Muitos desses corpos são extremamente escuros, compostos por materiais ricos em carbono que refletem pouca luz, escapando dos telescópios convencionais que dependem da luz visível. O poder destrutivo desses "assassinos de cidades" é comparável ao de uma devastação regional catastrófica, o que torna sua detecção precoce uma prioridade absoluta.

Para fechar essa lacuna de segurança, a Nasa aposta todas as fichas no lançamento do telescópio espacial Near-Earth Object (NEO) Surveyor, previsto para 2027. Diferente dos observatórios terrestres, o equipamento utilizará uma tecnologia inovadora baseada em assinaturas térmicas para "enxergar" o calor emitido pelos asteroides escuros, mesmo aqueles tão negros quanto carvão. Posicionado estrategicamente no ponto de Lagrange L1, entre a Terra e o Sol, o telescópio poderá monitorar áreas próximas ao astro-rei, eliminando o ponto cego causado pelo brilho solar que impede observações a partir do solo.

A meta é ambiciosa: catalogar mais de 90% dos objetos perigosos na próxima década. Como destacou Nancy Chabot, coordenadora de defesa planetária, a detecção precoce é o único fator que torna o desvio tecnicamente viável. Sem anos de antecedência, mesmo a tecnologia mais avançada seria inútica.

Embora a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) tenha sido um marco ao colidir uma nave contra um asteroide e alterar sua órbita com sucesso, os cientistas são unânimes em afirmar que a Terra ainda é, no momento, praticamente indefesa. Transformar um teste bem-sucedido em uma rede de proteção permanente requer investimento contínuo e cooperação internacional, transformando a astronomia de uma ciência contemplativa em uma ferramenta de sobrevivência da espécie.