31 de julho de 2025
CURA GAY

Folião pede conselho ao pastor Isidório sobre 'cura gay' e recebe resposta inusitada

“Esse furico agora é de Deus”, diz evangélico, que é deputado federal pela Bahia

Por Patrícia Fahlbusch
Publicado em
Conselho Federal de Psicologia diz que não há qualquer respaldo científico para a prática da 'cura gay' - Foto: Paulo Sergio/Câmara dos Deputados

Durante o Carnaval de Salvador (BA), um motorista abordou o deputado federal Pastor Sargento Isidório, do Avante da Bahia,  para pedir conselho sobre a “cura gay” e dizer que gostaria de “virar” homem. Em resposta, o parlamentar declarou que já teria vivido a mesma situação, e disse que foi transformado.

O deputado federal acrescentou que Jesus teria ‘operado’ a mudança na vida dele, e concluiu a fala com a seguinte frase: “esse furico agora é de Deus”.

A chamada “cura gay”, também denominada de terapia de reversão ou de conversão à heterossexualidade, é uma prática que pode produzir agravos à saúde, como a construção de ideias suicidas. O Conselho Federal de Psicologia diz que não há qualquer respaldo científico para a prática, que é vedada por resolução desde 1999 já que a bissexualidade e a homossexualidade não constituem doença nem desvio. 

“Nós não podemos usar a moralidade, práticas morais, para dizer que são condutas abominadas. É importante dizer: não é doença, mas também não é desvio. E, por não ser desvio, nenhuma prática que promova a pseudo-reorientação deve permitida no Brasil, exatamente porque produz agravos”, explicou o professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Bicalho, acrescentando que o Brasil precisa reconhecer a importância de se afirmar a saúde pública como uma saúde laica, considerando que a prática de cura gay ocorre, em grande parte, no contexto de fundamentalismo religioso.