Mark Zuckerberg é ouvido por júri que avalia vício em redes sociais nos EUA
CEO da Meta presta depoimento em Los Angeles em ação que pode definir responsabilidade de plataformas por dependência digital entre jovens.
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O diretor‑executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, prestou depoimento nesta quarta‑feira (18/2) perante um júri popular no Tribunal de Los Angeles, nos Estados Unidos, em um julgamento considerado histórico que discute o papel das redes sociais na criação de comportamentos compulsivos, especialmente entre crianças e adolescentes.
O caso foi iniciado no início de fevereiro e coloca sob análise se plataformas como Facebook, Instagram e o YouTube, controlados, respectivamente, pela Meta e pelo Google, foram projetadas de forma a estimular o uso contínuo, com consequências negativas para a saúde mental dos usuários mais jovens.
A ação judicial foi movida por uma mulher de 20 anos, identificada nos autos pelo pseudônimo K.G.M., que afirma ter começado a usar redes sociais ainda criança e que o uso intenso teria agravado transtornos como ansiedade e depressão. A acusação alega que funções como notificação constante, rolagem automática de conteúdo e algoritmos de recomendação foram deliberadamente desenhados para maximizar o envolvimento dos usuários, chegando a comparar essas técnicas às empregadas em cassinos digitais.
Zuckerberg, de 41 anos, foi convocado a depor pela primeira vez diretamente perante um júri popular sobre este tema, embora já tenha testemunhado anteriormente em audiências no Congresso dos EUA sobre segurança e impactos das plataformas. A Meta negou que tenha projetado suas redes com o objetivo de viciar usuários, argumentando que a diversidade de fatores que influenciam a saúde mental dos jovens vai além das plataformas digitais.
O julgamento é visto como um caso‑modelo (chamado nos EUA de bellwether trial) que pode influenciar a forma como mais de 1.600 processos similares avançam nos tribunais americanos. Caso o júri decida a favor da autora, a Meta e o Google podem ser obrigados a pagar indenizações significativas e até mudar o design de seus produtos para reduzir possíveis riscos associados ao uso excessivo por parte de jovens.
Especialistas apontam que esta ação representa uma das primeiras tentativas de responsabilizar legalmente gigantes da tecnologia pelo impacto de seus produtos na saúde psicológica de crianças e adolescentes, em um momento em que legisladores e reguladores ao redor do mundo intensificam o debate sobre limites etários e proteção digital.