31 de julho de 2025
Saúde global

Estudo aponta que chikungunya pode se espalhar por grande parte da Europa

Aquecimento global amplia período de transmissão do vírus, inclusive em regiões antes consideradas frias

Por redação
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Além da chikungunya, infecções transmitidas pelo mesmo vetor, como a dengue, também têm aumentado na Europa. - Foto: Divulgação

A chikungunya, doença viral antes restrita principalmente a regiões tropicais, poderá ser transmitida em grande parte da Europa nos próximos anos. A conclusão é de um estudo publicado no início de fevereiro na revista científica Journal of the Royal Society Interface, que aponta o aquecimento global como fator decisivo para a ampliação do risco no continente.

Segundo a análise, o aumento das temperaturas favoreceu a proliferação do mosquito transmissor Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, permitindo que a transmissão do vírus ocorra por mais de seis meses ao ano em áreas do sul da Europa, como Espanha e Grécia. Em regiões mais ao norte, como o sudeste da Inglaterra, a janela de transmissão já chega a cerca de dois meses.

Os pesquisadores afirmam que é apenas uma questão de tempo até que a doença avance ainda mais pelo continente. O estudo indica que o vírus consegue completar seu período de incubação dentro do mosquito em temperaturas mais baixas do que se estimava anteriormente, com limite médio entre 13 °C e 14 °C — cerca de dois graus abaixo do que apontavam pesquisas anteriores.

“O ritmo de aquecimento na Europa é aproximadamente o dobro da média global, e isso torna a expansão da doença inevitável”, afirmou Sandeep Tegar, pesquisador do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia e autor principal do estudo, em entrevista ao jornal The Guardian.

Originário da Ásia, o Aedes albopictus foi identificado no sul da Europa pela primeira vez em 2007 e, desde então, vem se espalhando para regiões centrais e setentrionais do continente. Com invernos cada vez mais amenos, o mosquito passou a apresentar atividade durante praticamente todo o ano em alguns países.

Além da chikungunya, infecções transmitidas pelo mesmo vetor, como a dengue, também têm aumentado na Europa, com crescimento médio anual de 25%, segundo os pesquisadores. Em 2025, surtos da chikungunya foram registrados em países como Itália e França, geralmente associados a viajantes infectados que retornam de áreas tropicais.

Especialistas destacam que, apesar do cenário preocupante, medidas básicas — como vigilância epidemiológica, controle do mosquito e campanhas de conscientização — podem reduzir o impacto da doença. Vacinas contra a chikungunya já existem, mas ainda têm custo elevado e distribuição limitada. Enquanto isso, a principal forma de prevenção segue sendo evitar a proliferação do inseto e o contato com suas picadas.