Estudo aponta que chikungunya pode se espalhar por grande parte da Europa
Aquecimento global amplia período de transmissão do vírus, inclusive em regiões antes consideradas frias
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A chikungunya, doença viral antes restrita principalmente a regiões tropicais, poderá ser transmitida em grande parte da Europa nos próximos anos. A conclusão é de um estudo publicado no início de fevereiro na revista científica Journal of the Royal Society Interface, que aponta o aquecimento global como fator decisivo para a ampliação do risco no continente.
Segundo a análise, o aumento das temperaturas favoreceu a proliferação do mosquito transmissor Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, permitindo que a transmissão do vírus ocorra por mais de seis meses ao ano em áreas do sul da Europa, como Espanha e Grécia. Em regiões mais ao norte, como o sudeste da Inglaterra, a janela de transmissão já chega a cerca de dois meses.
Os pesquisadores afirmam que é apenas uma questão de tempo até que a doença avance ainda mais pelo continente. O estudo indica que o vírus consegue completar seu período de incubação dentro do mosquito em temperaturas mais baixas do que se estimava anteriormente, com limite médio entre 13 °C e 14 °C — cerca de dois graus abaixo do que apontavam pesquisas anteriores.
“O ritmo de aquecimento na Europa é aproximadamente o dobro da média global, e isso torna a expansão da doença inevitável”, afirmou Sandeep Tegar, pesquisador do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia e autor principal do estudo, em entrevista ao jornal The Guardian.
Originário da Ásia, o Aedes albopictus foi identificado no sul da Europa pela primeira vez em 2007 e, desde então, vem se espalhando para regiões centrais e setentrionais do continente. Com invernos cada vez mais amenos, o mosquito passou a apresentar atividade durante praticamente todo o ano em alguns países.
Além da chikungunya, infecções transmitidas pelo mesmo vetor, como a dengue, também têm aumentado na Europa, com crescimento médio anual de 25%, segundo os pesquisadores. Em 2025, surtos da chikungunya foram registrados em países como Itália e França, geralmente associados a viajantes infectados que retornam de áreas tropicais.
Especialistas destacam que, apesar do cenário preocupante, medidas básicas — como vigilância epidemiológica, controle do mosquito e campanhas de conscientização — podem reduzir o impacto da doença. Vacinas contra a chikungunya já existem, mas ainda têm custo elevado e distribuição limitada. Enquanto isso, a principal forma de prevenção segue sendo evitar a proliferação do inseto e o contato com suas picadas.