PCC estrutura 12 sintonias e cria setor para controlar redes sociais, aponta polícia
Levantamento da Polícia Civil de São Paulo detalha novo organograma da facção, que inclui área digital e fiscalização interna
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O Primeiro Comando da Capital (PCC) opera atualmente com 12 “sintonias” responsáveis por administrar diferentes frentes do crime no Brasil e no exterior, incluindo um setor dedicado à internet e às redes sociais. A conclusão consta em um relatório do Departamento de Inteligência Policial (Dipol), da Polícia Civil de São Paulo.
De acordo com a investigação, a facção também mantém uma 13ª estrutura, chamada de Setor Raio-X, voltada à fiscalização interna e à auditoria das atividades financeiras e comportamentais dos integrantes. O novo organograma aponta cerca de 100 membros na cúpula do grupo criminoso.
Entre as novidades está a Sintonia da Internet e Redes Sociais, encarregada de gerenciar comunicações online, monitorar publicações e garantir segurança e discrição no uso de aplicativos, e-mails criptografados e plataformas digitais. O setor também atua na difusão de princípios da facção e no controle do conteúdo compartilhado pelos integrantes.
Segundo o Dipol, a nova sintonia seria chefiada por André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos presos, que responderiam diretamente à Sintonia Final — a cúpula do PCC, liderada por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
A Sintonia Final reúne cerca de 16 integrantes, dos quais apenas um estaria em liberdade. Abaixo dela, o relatório descreve outras estruturas estratégicas, como a Sintonia do Sistema, voltada ao controle das decisões dentro do sistema prisional; a Sintonia Restrita, responsável por assuntos sensíveis; e a Sintonia dos Estados e Países, que coordena a expansão da facção fora de São Paulo e do Brasil.
O levantamento também identifica setores específicos para operações de rua, atuação interna nos presídios, tráfico de drogas, finanças — conhecida como Sintonia da Padaria — e um núcleo jurídico, chamado de Sintonia dos Gravatas. O chamado “Quadro dos 14” aparece como uma instância de elite, responsável por decisões estratégicas e disciplinares.
Ainda segundo a polícia, 61 integrantes da cúpula do PCC estão presos. O documento também cita aliados da facção e, pela primeira vez, aponta a ligação de um empresário investigado por fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que nega qualquer vínculo com o grupo criminoso.