31 de julho de 2025
Educação e tecnologia

Vídeos curtos afetam atenção e engajamento escolar de crianças

Pesquisadoras identificam relação entre consumo compulsivo, ansiedade social e menor envolvimento com a escola

Por Redação
Publicado em
As pesquisadoras apontam ainda que fatores como estresse cotidiano, ambiente social e predisposição individual podem intensificar comportamentos de dependência. - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Um estudo conduzido por pesquisadoras da Universidade de Macau aponta que o consumo frequente de vídeos curtos em redes sociais pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo infantil e favorecer comportamentos de dependência. Segundo a pesquisa, o uso intensivo desse formato está associado à perda de concentração, ansiedade social, insegurança e redução do engajamento escolar.

A psicóloga educacional Wang Wei, uma das autoras do levantamento, afirma que há uma correlação direta entre o tempo gasto com vídeos curtos e a participação dos estudantes na escola. “Quanto mais os alunos consomem esse tipo de conteúdo, menor é o envolvimento escolar”, explicou em entrevista à Agência Lusa. Para a pesquisadora, o design das plataformas, baseado em rolagem contínua e algoritmos personalizados, tende a estimular o uso excessivo.

O estudo destaca que essas plataformas atendem de forma imediata necessidades psicológicas básicas, como pertencimento e reconhecimento social, o que pode levar ao consumo compulsivo. “Essa concepção de vídeos curtos pode ser particularmente perigosa para as crianças”, alertou Wang.

A professora Anise Wu Man Sze, também da Universidade de Macau, acrescenta que a superestimulação causada pelo ritmo acelerado dos vídeos compromete ainda mais o desenvolvimento cognitivo saudável. Segundo ela, a facilidade de acesso — conteúdos gratuitos e disponíveis a qualquer hora — contribui para padrões problemáticos de uso.

As pesquisadoras apontam ainda que fatores como estresse cotidiano, ambiente social e predisposição individual podem intensificar comportamentos de dependência. Como estratégia de enfrentamento, recomendam que famílias e escolas priorizem o atendimento das necessidades emocionais das crianças fora do ambiente digital, além de estimular competências de autorregulação, em vez de apenas restringir o uso de celulares.

Dados oficiais citados no estudo indicam que, até dezembro de 2024, cerca de 1,1 bilhão de pessoas na China tinham acesso a plataformas de vídeos curtos, com taxa de uso ativo superior a 98%, o que reforça a dimensão do impacto desse tipo de conteúdo no cotidiano, inclusive entre crianças e adolescentes.