31 de julho de 2025
mundo

Investigação internacional aponta veneno de rã sul-americana em morte de opositor na Rússia

Toxina epibatidina, encontrada em rãs venenosas da América do Sul, foi identificada em análises do corpo do opositor russo, morto em prisão há dois anos

Por redação
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Rã-flecha-azul - Foto: Sébastien Sant/iNaturalist

O opositor russo Alexei Navalny, morto em 2024, teria sido envenenado com uma toxina altamente letal enquanto estava preso na Rússia. A informação consta em um comunicado conjunto divulgado neste sábado (14) por cinco países europeus, que aponta a presença de epibatidina em amostras retiradas do corpo do político. A substância é associada a rãs venenosas nativas da América do Sul — animais que não existem em território russo. A morte de Navalny completa dois anos na próxima segunda-feira (16).

Segundo o documento, análises laboratoriais identificaram a epibatidina, um alcaloide extremamente potente encontrado em rãs conhecidas popularmente como rãs-flecha. Esses anfíbios pertencem à família dos dendrobatídeos e habitam principalmente florestas tropicais da América Central e do Sul, incluindo a Amazônia brasileira.

Ao contrário de muitas rãs que utilizam a camuflagem como defesa, as rãs-flecha exibem cores intensas e chamativas, como azul, amarelo, vermelho e verde. Essa característica funciona como um aviso visual aos predadores sobre sua toxicidade. A pele desses animais secreta venenos capazes de causar paralisia e, em doses suficientes, levar à morte.

Estudos indicam que um único exemplar pode concentrar até 1.900 microgramas de toxinas, quantidade considerada extremamente elevada e potencialmente fatal para animais de grande porte. A epibatidina, em especial, é reconhecida por sua ação intensa sobre o sistema nervoso.

Pesquisadores ainda investigam a origem exata do veneno, mas a principal hipótese é que as rãs não produzam a toxina por conta própria. Ela seria acumulada a partir da alimentação, composta por insetos como formigas, cupins e besouros que contêm alcaloides tóxicos. Em cativeiro, quando submetidas a outra dieta, essas rãs costumam perder grande parte da toxicidade.

Para seres humanos, o risco está associado ao contato direto com a substância em quantidade suficiente. Fora do ambiente natural, no entanto, esses anfíbios tendem a não representar o mesmo nível de perigo, justamente pela ausência da dieta que origina o veneno.