31 de julho de 2025
SAÚDE

Coma alcoólico: entenda os riscos, os sinais de alerta e como agir durante o Carnaval e início do ano letivo

Período de festas e trotes universitários aumenta consumo de álcool entre jovens

Por Redação
Publicado em
Especialista alerta para diferença entre embriaguez e emergência médica - Foto: Reprodução

Durante o Carnaval e o início do ano letivo nas universidades — períodos frequentemente marcados por festas, trotes aos calouros e consumo excessivo de bebidas alcoólicas — o coma alcoólico, estágio mais grave da intoxicação por álcool, volta ao centro das preocupações. Muitas vezes confundida com uma embriaguez comum, a condição pode evoluir rapidamente, provocando parada cardiorrespiratória, lesões neurológicas permanentes e, em casos extremos, levar a óbito.

O quadro acontece quando há um rebaixamento profundo do nível de consciência, pois o álcool atua como um potente depressor do sistema nervoso central, colocando o indivíduo em risco de aspiração de conteúdo gástrico, hipotermia e instabilidade dos sinais vitais.

"A pessoa pode não responder a estímulos e apresentar respiração lenta ou irregular. É uma situação que exige socorro imediato" , explica a Dra. Keila Narimatsu, neurologista credenciada da Omint.

A especialista diferencia a intoxicação alcoólica grave do coma propriamente dito:

  • Na intoxicação grave, ainda pode haver consciência parcial, confusão mental e vômitos persistentes.
  • No coma, ocorre perda significativa ou total da consciência e comprometimento das funções vitais, especialmente da respiração.

Vale ressaltar que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) , não existe uma dose segura de consumo de álcool que não afete a saúde em nenhum nível.

Os principais sinais de alerta são:

  • Sonolência profunda ou inconsciência
  • Dificuldade para acordar
  • Fala incoerente ou ausência de fala
  • Respiração lenta, irregular ou ruidosa
  • Pele fria, pálida ou arroxeada
  • Vômitos acompanhados de rebaixamento de consciência
  • Convulsões e hipotermia

O perfil de maior risco ao coma alcoólico inclui:

  • Jovens com consumo excessivo
  • Idosos
  • Pessoas de baixo peso
  • Quem faz uso de medicamentos como benzodiazepínicos, opioides, antidepressivos ou antipsicóticos
  • Pessoas com doenças hepáticas, respiratórias ou neurológicas, que aumentam a vulnerabilidade

Diante da suspeita de coma alcoólico, a orientação é clara:

  1. Acionar suporte médico imediatamente (Samu 192)
  2. Manter a pessoa deitada de lado, em posição lateral de segurança
  3. Observar a respiração e o pulso
  4. Manter a pessoa aquecida
  5. Nunca deixar a pessoa sozinha

"Dar café, banho gelado, induzir o vômito ou forçar a pessoa a andar aumentam o risco de aspiração e de parada respiratória. Além disso, incentivar que a pessoa durma na tentativa de aliviar os sintomas é perigoso" , alerta a Dra. Keila Narimatsu.

Quando há demora no atendimento, o coma alcoólico pode deixar marcas duradouras:

  • Déficits de memória e atenção
  • Epilepsia secundária
  • Distúrbios motores e psiquiátricos

Em situações extremas, pode evoluir para estado vegetativo ou óbito. O prognóstico depende do tempo de falta de oxigenação no cérebro, da dose ingerida e da rapidez do socorro.

Além do etanol presente nas bebidas regulares, o Brasil segue registrando casos de bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica.

  • No último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 97 casos e 16 óbitos em todo o país, até novembro de 2025.
  • No estado de São Paulo, até o dia 5 de fevereiro deste ano, foram confirmadas 12 mortes associadas à ingestão de bebidas adulteradas.

Diferentemente do álcool comum, o metanol é metabolizado em ácido fórmico, capaz de provocar:

  • Acidose grave
  • Lesão neurológica progressiva
  • Cegueira
  • Convulsões e coma

Muitas vezes, os sintomas surgem poucas horas após a ingestão"O quadro pode piorar mesmo quando a pessoa já parece ter melhorado. Por isso, qualquer suspeita de bebida de procedência duvidosa deve ser tratada como emergência" , alerta a neurologista.

Para reduzir riscos, a especialista recomenda:

  • Alimentar-se antes e durante o consumo
  • Beber devagar e intercalar com água
  • Evitar misturar álcool com medicamentos ou outras drogas
  • Não aceitar bebidas sem procedência confiável
  • Não incentivar "competições" de doses
  • Permanecer em grupo e observar os amigos

"O cuidado coletivo pode salvar vidas. Reconhecer precocemente os sinais e agir rápido é o que separa um susto de uma tragédia" , conclui a Dra. Keila Narimatsu.