Líder religioso vira réu por estupro de oito adolescentes em igreja do DF
Gabriel de Sá Campos, 30 anos, usava posição de liderança em igreja evangélica para cometer abusos contra menores por pelo menos seis anos
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A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia contra Gabriel de Sá Campos, de 30 anos, acusado de estuprar oito adolescentes que frequentavam a Igreja Batista Filadélfia, no Guará 2. O ex-líder do ministério de adolescentes da congregação agora é réu pelos crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual.
Gabriel estava preso temporariamente desde 19 de dezembro do ano passado, quando foi detido pela Polícia Civil do DF. Na última quarta-feira (11), a prisão foi convertida em preventiva — ou seja, sem prazo para terminar. Ele deve ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda nesta sexta-feira (13).
As investigações da 4ª Delegacia de Polícia (Guará) revelaram um padrão sistemático de crimes que se estendeu por pelo menos seis anos dentro da instituição religiosa. Gabriel utilizava sua posição de liderança para ter acesso privilegiado aos adolescentes, explorando a confiança que as famílias depositavam nele.
De acordo com a polícia, o suspeito agia com requintes de manipulação psicológica e planejamento meticuloso. Ele se aproveitava, inclusive, de sua função como instrutor de um curso de "integridade sexual" oferecido pela igreja para obter informações íntimas sobre as vulnerabilidades emocionais dos menores.
Os abusos aconteciam em diferentes situações:
- Durante festas do pijama organizadas por ele na própria igreja
- Quando chamava as vítimas para assistir a filmes em sua casa
- Em encontros privados que tinham como pretexto atividades religiosas
Segundo relatos, Gabriel acariciava as partes íntimas dos adolescentes mesmo quando eles pediam para parar. Algumas vítimas chegavam a se esconder no banheiro ou pedir para os pais buscá-las mais cedo para escapar das investidas.
Todos os oito adolescentes são do sexo masculino. As investigações apontam que as vítimas não eram concomitantes: o suspeito criava laços com um dos jovens até cometer os abusos. Depois que o menor se afastava, ele se aproximava de outro.
A violência começava cedo:
- Dois casos tiveram início quando as vítimas tinham 10 e 12 anos
- Um adolescente foi abusado dos 13 aos 17 anos
- Outra vítima sofreu os abusos aos 16 anos
Os casos denunciados ocorreram desde 2019. Uma das vítimas, inclusive, já atingiu a maioridade.
Além da prisão preventiva, a Justiça determinou:
- Busca e apreensão domiciliar
- Quebra de sigilo telemático (dados de celular e computador)
- Quebra de sigilo telefônico dos últimos cinco anos
- Medidas protetivas, incluindo proibição de aproximação das vítimas em um raio de 300 metros
- Afastamento imediato de todas as funções religiosas
As investigações também revelaram tentativas de obstrução da Justiça por parte de familiares do acusado e da própria liderança da igreja.
Quando tomou conhecimento de um dos casos, em dezembro de 2024, o pai do investigado, que é presidente da igreja, caracterizou os fatos como "brincadeira" e "ato involuntário", pedindo que a família mantivesse silêncio.
Em uma reunião de liderança realizada em novembro de 2025, um diácono da igreja classificou os crimes como "mal-entendidos" e propôs um "pacto de sigilo", afirmando que "problemas da igreja se resolvem na igreja, não na polícia".
Na mesma ocasião, foi lida uma carta escrita pelo suspeito dizendo que ele se afastaria do rol de membros e das atividades da congregação. No entanto, Gabriel continuou frequentando os cultos normalmente, inclusive tendo acesso a áreas restritas da igreja.
A mãe do investigado também teria intimidado menores, confrontando-os sem a presença de responsáveis legais, acusando-os de "falso testemunho" e ameaçando processar as famílias.
Casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelos seguintes canais:
- Disque 100 – Direitos Humanos
- Polícia Civil – 197
- Conselho Tutelar do seu município
A denúncia é anônima e pode salvar vidas.