73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6x1, aponta pesquisa
Entre 2.021 entrevistados em todo o país, 84% defendem mais descanso, e adesão à mudança é maior entre eleitores de Lula
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Uma pesquisa nacional realizada pela Nexus mostra que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, desde que a redução da jornada não implique corte de salário. O levantamento, feito entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro em todas as unidades da Federação, ouviu 2.021 pessoas com 16 anos ou mais.
O estudo indica que 84% da população acredita que os trabalhadores deveriam ter no mínimo dois dias de descanso por semana. Entre os entrevistados, o apoio à extinção da escala 6x1 permanece alto, desde que os salários não sejam afetados; caso haja redução, apenas 28% continuam favoráveis.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, explicou que 62% dos participantes já tinham ouvido falar sobre a proposta de acabar com a escala 6x1, em discussão no governo federal e no Congresso. “Dos que conhecem o tema, 12% têm conhecimento aprofundado e 50% conhecem superficialmente”, disse.
Segundo Tokarski, a pesquisa mostra que a população valoriza principalmente folgas adicionais sem redução de renda. “Não é viável trabalhar seis dias e descansar apenas um. As empresas defendem a redução de jornada com corte de salário, mas os trabalhadores não aceitam”, afirmou.
Diferenças por perfil de eleitor
O apoio à medida é mais forte entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 71% favoráveis, enquanto entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% aprovam a mudança.
Trâmite legislativo
A PEC 148/2015, que prevê o fim gradual da escala 6x1, já passou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda precisa ser votada duas vezes no plenário do Senado e duas vezes na Câmara. Se aprovada, a jornada máxima semanal cairá das atuais 44 horas para 40 em 2027 e para 36 horas a partir de 2031, com manutenção dos salários, ponto que ainda será debatido.
A pesquisa também mostrou que 52% acreditam que a proposta será aprovada pelo Congresso, 35% acham que não e apenas 12% afirmaram entender bem todos os detalhes da PEC.