31 de julho de 2025
MÚSICA

Morte de Kurt Cobain: investigação independente aponta homicídio e pede reabertura do caso 32 anos depois

Especialistas em ciências forenses analisaram laudos da autópsia e encontraram inconsistências; Instituto Médico Legal e polícia de Seattle mantêm versão de suicídio

Por Redação
Publicado em
Dave Grohl, Kurt Cobain e Krist Novoselic - Foto: Divulgação

Quase 32 anos após a morte de Kurt Cobain, uma equipe independente de especialistas em ciências forenses lançou uma nova tese que pode reescrever a história do líder do Nirvana. Em artigo publicado no International Journal of Forensic Science e revisado por pares, os pesquisadores concluem que Cobain não tirou a própria vida: ele foi vítima de homicídio.

A investigação, liderada pelo pesquisador Brian Burnett e pela especialista Michelle Wilkins, aponta dez evidências que, segundo eles, contrariam a versão oficial de suicídio por espingarda, mantida desde 5 de abril de 1994 pelo Instituto Médico Legal do Condado de King e pelo Departamento de Polícia de Seattle.

De acordo com os especialistas, Kurt Cobain pode ter sido forçado a ingerir uma overdose de heroína para ficar incapacitado. Em seguida, alguém teria disparado um tiro em sua cabeça, colocado a arma em seus braços e deixado uma carta de suicídio falsificada no local.

Os pesquisadores analisaram os laudos da autópsia e encontraram sinais de necrose no cérebro e no fígado — danos típicos de overdose e privação de oxigênio, e não de morte instantânea por arma de fogo.

"Essa pessoa não morreu tão rapidamente por causa de um tiro. A necrose do cérebro e do fígado ocorre em uma overdose. Não ocorre em uma morte por espingarda", afirmou Michelle Wilkins.

Outro ponto levantado pela equipe é o estado da cena do crime, descrita como "muito limpa" para um suicídio com espingarda.

"Supõe-se que devemos acreditar que ele fechou as agulhas e colocou tudo de volta em ordem depois de se injetar três vezes, porque é isso que alguém faz enquanto está morrendo", ironizou Wilkins.

Entre os destaques apontados como suspeitos existem o recibo da arma estava no bolso de Cobain, os cartuchos estavam enfileirados aos seus pés. o fato de que não havia sangue na mão do cantor, algo incomum em mortes por disparo com espingarda e havia sangue na parte inferior da camisa, o que sugere que o corpo pode ter sido movido após o disparo.

"A única maneira de o sangue ter chegado à camisa dele é se Kurt foi levantado e sua cabeça estava para baixo", explicou a pesquisadora.

A famosa carta deixada por Cobain também foi analisada. Segundo os especialistas, o início do bilhete é autêntico, mas trata apenas de sua suposta saída da banda — não menciona suicídio. "As últimas quatro linhas estão escritas de forma diferente. É maior, parece mais rabiscado", apontou Michelle, sugerindo que o trecho pode ter sido acrescentado por outra pessoa.

Apesar das evidências apresentadas, o Instituto Médico Legal do Condado de King reafirmou a conclusão original. "Realizamos uma autópsia completa e seguimos todos os procedimentos. Nossa determinação foi de suicídio. Estamos abertos a rever o caso caso novas evidências surjam, mas até o momento nada justifica a reabertura."

Já o Departamento de Polícia de Seattle foi taxativo: "Nosso detetive concluiu que ele cometeu suicídio. Essa continua sendo a posição do departamento. O caso não será reaberto."

A equipe independente não pede a prisão de suspeitos, mas sim transparência e a reavaliação das provas. Os pesquisadores também alertam para o efeito imitativo da versão oficial. "Em 2022, um jovem tirou a própria vida porque acreditava que Cobain havia feito isso. Os suicídios por imitação nunca pararam", lamentou Michelle.

Ela criticou a recusa das autoridades em reabrir o caso. "Se estivermos errados, só nos provem. Foi só isso que pedimos."

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