Justiça do Rio condena assassinos de Marielle a indenizar viúva
“Ex-policiais condenados a indenizar viúva de Marielle Franco; Mônica Benício diz que decisão é ‘vitória simbólica’”
Publicado em
A Justiça do Rio determinou que os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, assassinos confessos da vereadora Marielle Franco, paguem R$ 200 mil por danos morais à viúva, Mônica Benício. A decisão, da 29ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, também prevê o pagamento de pensão correspondente a dois terços da remuneração que Marielle receberia como vereadora, além de 13º salário, férias e bloqueio de bens dos réus. Cabe recurso.
Para Mônica, a sentença representa uma “vitória simbólica” por reconhecer a interrupção do futuro que ela e Marielle construíam juntas. “Não há indenização que possa reparar eu ter perdido o amor da minha vida. A Justiça por Marielle só existirá quando a paz for soberana e a vida de todos for plena”, afirmou.
O escritório João Tancredo Advogados, que representa Mônica, anunciou que vai recorrer para aumentar o valor da indenização. Segundo os advogados, R$ 200 mil é baixo frente à gravidade do caso e a jurisprudência de casos semelhantes, em que valores chegam a cerca de R$ 1 milhão.
O crime
Marielle Franco foi assassinada em 14 de maio de 2018, por volta das 21h30, na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, no Rio. Ela foi atingida por quatro tiros dentro de um carro, enquanto o motorista Anderson Pedro Gomes também foi morto. Fernanda Chaves, no banco de trás, sobreviveu com ferimentos leves de estilhaços.
Os autores, Lessa e Queiroz, perseguiam Marielle desde um evento na Lapa, em um percurso de cerca de 4 km, e dispararam contra o veículo antes de fugirEles foram presos em 12 de março de 2019, quase um ano após o crime, sem oferecer resistência. Em março de 2024, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, suspeitos de serem mandantes, e o delegado Rivaldo Barbosa, acusado de atrapalhar as investigações, também foram detidos.