31 de julho de 2025
investigação

Mistura de cloro em balde: o que se sabe sobre intoxicações em piscina com “ar envenenado”?

Suspeita é de que manobrista preparou mistura de cloro em balde ao lado da água durante aula; vídeos mostram desespero e vítimas sendo retiradas

Por Redação
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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, treinava no local quando alunos sentiram um desconforto - Foto: Reprodução

Uma jovem de 27 anos morreu e outras seis pessoas intoxicadas precisaram de atendimento médico após uma aula de natação na academia C4 Gym, no bairro Parque São Lucas, zona leste de São Paulo, no último sábado (7). A suspeita da polícia é de que uma reação química no preparo de cloro tenha "envenenado o ar" da piscina coberta.

Juliana Faustino Bassetto, que treinava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, foi uma das primeiras a sentir os efeitos. Após a aula, o casal foi por conta própria ao Hospital Santa Helena, em Santo André, onde Juliana não resistiu. Seu marido foi internado em estado grave. Outras duas vítimas também foram hospitalizadas: um adolescente, levado com dificuldade respiratória ao Hospital Vila Alpina, e uma mulher de 29 anos, internada na UTI do Hospital São Luiz do Tatuapé com dores de cabeça, vômito e diarreia.

Um dos alunos presentes, o advogado Eduardo Esteves Rossini, de 37 anos, relatou que funcionários fizeram uma mistura de cloro em um balde e o deixaram ao lado da piscina. "Jogaram alguma coisa que deu reação química. Sentimos queimar os olhos, nariz, garganta e pulmões. Ficou impossível de respirar", descreveu. Segundo ele, quem estava mais perto do balde inalou mais produto e foi mais afetado. Rossini também precisou retornar ao hospital na segunda-feira (9) com a garganta inflamada e sangrando.

Câmeras de segurança flagraram o momento de desespero, mostrando alunos sendo retirados da água com dificuldade de movimento e respiração. Outra filmagem capturou o manobrista preparando a mistura e deixando o balde na borda da piscina durante a aula, conforme confirmado pela Polícia Civil em coletiva. A investigação, que apura homicídio culposo (sem intenção), verificou que a manutenção da piscina era feita por este funcionário, que aguardava o fim da aula para aplicar o produto.

A academia, que tem nova administração há cerca de dois anos, foi interditada preventivamente pela Prefeitura de São Paulo no domingo (8). A vistoria encontrou irregularidades como falta de Auto de Licença de Funcionamento para a piscina e a existência de dois CNPJs no mesmo endereço. Os donos serão responsabilizados criminalmente por negligência. Em nota, a direção da C4 Gym lamentou o ocorrido e afirmou estar colaborando com as autoridades.

O corpo de Juliana, que era professora, foi enterrado no Cemitério Quarta Parada na tarde desta segunda-feira (9).