31 de julho de 2025
JOGOS OLÍMPICOS DE INVERNO

Lesão no ligamento cruzado: caso de Lindsey Vonn expõe risco em competições de alto impacto

specialista alerta que competir com ruptura do LCA em esportes como downhill pode levar a fraturas graves e até morte; entenda os perigos e casos semelhantes

Por Redação
Publicado em
Lindsey Vonn sofre queda nas Olímpiadas de Inverno 2026. - Foto: Reprodução/AFP PHOTO/IOC-OBS

A grave queda da lendária esquiadora americana Lindsey Vonn, de 41 anos, durante uma prova de downhill nos Jogos Olímpicos de Inverno, jogou luz sobre um risco extremo no esporte de alta performance: competir com o ligamento cruzado anterior (LCA) completamente rompido. A atleta, que já havia rompido o LCA, sofreu uma fratura na perna esquerda após perder a estabilidade do joelho em alta velocidade e precisou ser resgatada de helicóptero e submetida a cirurgia.

Especialistas alertam que, em modalidades de altíssimo impacto e velocidade, essa decisão pode ir muito além de um risco esportivo, configurando um verdadeiro risco de vida. “Em modalidades como o downhill, que exigem muita velocidade e mudanças constantes de direção, competir sem o ligamento cruzado anterior não é apenas um risco esportivo, é um risco de vida”, afirma o médico ortopedista Jonatas Brito, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Por que a ruptura do LCA é tão perigosa?
O ligamento cruzado anterior é uma estrutura fundamental para a estabilidade do joelho, especialmente em movimentos de rotação, frenagem e mudanças bruscas de direção. Sua ruptura total compromete o controle da articulação. Mesmo com muito fortalecimento muscular e uso de joelheiras especiais (órteses), a falta do ligamento deixa o joelho vulnerável a falhas súbitas e imprevisíveis durante esforços máximos.

“Ao competir sem o LCA, o atleta coloca em risco o joelho, o menisco e a cartilagem, mas também aumenta a chance de fraturas graves, quedas em alta velocidade, traumatismos cranianos e até risco de morte”, explica o Dr. Jonatas Brito. Ele ressalta que algumas lesões consequentes, como danos extensos à cartilagem ou ao menisco, podem ser irreversíveis.

A ruptura do LCA é uma lesão conhecida no mundo esportivo. No Brasil, afastou grandes astros como Ronaldo Fenômeno e Marta, que precisaram de cirurgia e longa recuperação. Recentemente, Neymar e Gabriel Jesus também passaram por isso, seguindo a recomendação padrão de afastamento imediato para tratamento.

O caso de Vonn, porém, choca por evidenciar a decisão de competir com a lesão já estabelecida. Isso levanta questões sobre a pressão psicológica sobre atletas de elite e a imensa responsabilidade das equipes médicas que os liberam. “O atleta sempre vai querer competir. Isso faz parte da força mental… Por isso, cabe ao médico analisar de forma responsável, pensando na preservação da vida”, pondera o ortopedista.

O especialista faz uma distinção importante: existem atividades em que a ausência do LCA é mais tolerável, como natação, ciclismo e corrida em linha reta, onde há menos torção. No entanto, o ligamento é essencial e insubstituível em esportes que envolvem mudanças rápidas de direção e impacto, como futebol, basquete, snowboard e, principalmente, o esqui alpino em velocidade.

Leia também