31 de julho de 2025

Mais da metade dos negócios nas favelas surgiu durante ou após a pandemia, aponta pesquisa

Empreendedores movidos por necessidade abriram negócios com baixo capital, mas enfrentam dificuldades como falta de crédito; maioria fatura até R$ 3 mil

Por Redação
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Data Favela entrevistou 1 mil empreendedores de favelas em todo o Brasil - Foto: Lucas Costa/Divulgação

A pandemia de covid-19 foi um marco para o empreendedorismo nas favelas brasileiras: 56% dos negócios atualmente em funcionamento foram abertos a partir de fevereiro de 2020. É o que revela uma pesquisa do Data Favela (ligado à Central Única das Favelas - Cufa), encomendada pela empresa VR.

O levantamento, feito com 1.000 empreendedores em outubro e novembro de 2025, aponta que a crise sanitária e econômica forçou a reinvenção. Muitos perderam empregos e encontraram no próprio negócio uma saída para gerar renda, frequentemente a partir de um hobby ou habilidade familiar.

Perfil financeiro dos empreendedores:

  • Faturamento: Praticamente metade (51%) fatura até R$ 3.040 por mês. Apenas 5% têm receita superior a R$ 15,2 mil.
  • Capital Inicial: Para 37%, o investimento inicial foi de até R$ 1.520. A principal fonte foi economias pessoais ou da família (57%).
  • Gastos: A maioria (57%) gasta até R$ 3.040 mensais para manter o negócio, indicando que o faturamento mal cobre as despesas.

Desafios e Características:

  • Principais Obstáculos: Falta de capital (51%) e dificuldade de acesso ao crédito (25%).
  • Formalização: Apenas 40% são formalizados, sendo o MEI (Microempreendedor Individual) a modalidade mais comum (36%).
  • Gestão: A maioria (59%) administra o negócio apenas com anotações em caderno.
  • Divulgação: As redes sociais são essenciais: 75% usam o Instagram e 58% o WhatsApp.
  • Setores: Os negócios são majoritariamente de alimentação e bebidas (45%)moda e beleza (25%) e artesanato (8%).

A pesquisa destaca que o empreendedorismo nas favelas, muitas vezes nascido da necessidade, é um potente motor da economia local, movimentando cerca de R$ 300 bilhões por ano. No entanto, a falta de ferramentas de gestão, crédito e digitalização limita o crescimento e a sustentabilidade desses negócios vitais para milhões de brasileiros.

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