31 de julho de 2025
LIBERDADE DE IMPRENSA

Sindicato repudia intimidação a jornalistas durante velório de romeiros em Coité do Nóia

Entidade aponta interferência de prefeito e assessores, com tentativas de silenciar cobertura sobre acidente com romeiros

Por Redação
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Sindicato repudia intimidação a jornalistas durante velório de romeiros em Coité do Nóia - Foto: Reprodução

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) divulgou, nesta quarta-feira (4), uma nota de repúdio contra a postura do prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, e de integrantes da gestão municipal durante a cobertura do velório das vítimas do capotamento de um ônibus de romeiros. O acidente ocorreu na manhã da terça-feira (3), em um trecho da AL-220, no município de São José da Tapera, no Sertão alagoano, e provocou forte comoção em todo o estado.

De acordo com o sindicato, profissionais da imprensa foram alvo de intimidações, ameaças e tentativas de cerceamento enquanto exerciam o trabalho jornalístico. Um dos episódios mais graves relatados ocorreu durante uma transmissão ao vivo, quando o secretário municipal de Cultura colocou a mão sobre a câmera de uma emissora, insinuando que a ordem para interromper a cobertura teria partido do prefeito. A ação causou constrangimento público e foi seguida por uma tentativa de retirar os jornalistas do ginásio onde acontecia o velório.

Outro momento de tensão citado na nota envolveu uma equipe que produzia reportagem sobre a manifestação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que confirmou a ausência de documentação obrigatória do ônibus envolvido no acidente. Segundo o Sindjornal, os profissionais foram cercados por assessores da prefeitura, sem qualquer justificativa plausível.

Na avaliação da entidade, apesar da dor vivida pelas famílias das vítimas, o episódio configura um grave ataque à liberdade de imprensa. O sindicato reforça que a tragédia é um fato de interesse público e que a atuação da imprensa é fundamental para garantir transparência e contribuir com a apuração das responsabilidades.

Em nota, a diretoria do Sindjornal afirmou que não aceitará agressões nem tentativas de silenciamento contra jornalistas e reafirmou o compromisso com a defesa da democracia, da liberdade de expressão e do exercício pleno da atividade jornalística em Alagoas.

Veja a nota na íntegra 

"NOTA DE REPÚDIO

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas vem repudiar a forma como o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, orientou sua equipe no atendimento à imprensa no velório das vítimas do capotamento do ônibus de romeiros, muitos deles moradores do município. Em meio ao luto que consternou toda Alagoas, lamentavelmente vários colegas foram surpreendidos com intimidações, ameaças e tentativas de silenciamento em muitos momentos dessa cobertura.

A situação chegou a tal ponto que o secretário municipal de Cultura colocou a mão em uma câmera de TV durante um “ao vivo”, insinuando que o prefeito tinha “mandado acabar com a transmissão”. A cena constrangeu até mesmo os telespectadores, que ficaram sem entender o motivo. Um ato de agressão reprovado por toda a nossa categoria. Depois disso, tentaram retirar os jornalistas do ginásio.

Outro momento foi a coação de uma equipe de jornalistas que tentava gravar uma reportagem sobre a nota da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que confirmava a falta de documentação necessária do ônibus que transportava os romeiros. Eles foram cercados por assessores do município, em um ato até agora sem explicação.

O Sindjornal reafirma sua solidariedade com os familiares e amigos das vítimas desse trágico acidente e entende o quão sensível é esse momento para essas pessoas, mas ressalta que o acidente é um fato de interesse público, que chocou não só a Alagoas, mas também todo o Brasil. É preciso sempre lembrar que a imprensa tem papel fundamental neste momento para apresentar detalhes e contribuir para a investigação dos fatos.

Não aceitaremos que os jornalistas de Alagoas sejam agredidos ou impedidos de realizar suas funções constitucionais, pois somos defensores da democracia, de uma imprensa livre e sempre sem censura. Seguiremos cumprindo o nosso papel e esperando que tais episódios não voltem a se repetir.

DIRETORIA DO SINDJORNAL"