Por que a PF proibiu as gravações do programa "Aeroporto: Área Restrita"
Corporação alegou riscos à segurança e conflito com normas da aviação civil. Produtora rebate e diz que medida contradiz histórico de sete temporadas
Publicado em
A Polícia Federal (PF) decidiu suspender as gravações da oitava temporada da série "Aeroporto: Área Restrita" (Discovery/HBO Max) em terminais aéreos do país. A medida, que já havia autorizado as filmagens em Viracopos, Galeão e Pinto Martins, foi revertida em janeiro, com o cancelamento do credenciamento da equipe, inclusive no aeroporto de Guarulhos.
Justificativa da Polícia Federal:
A PF alegou, em nota, que a decisão é baseada no "estrito cumprimento de normas" de segurança da aviação civil. Segundo a corporação:
- As Áreas Restritas são zonas de risco prioritário, com acesso limitado a pessoas com necessidade operacional, não se enquadrando atividades de entretenimento.
- Normas da ANAC proíbem o registro de imagens de procedimentos, fluxos e infraestrutura sensíveis à segurança.
- A presença permanente de equipes de filmagem é incompatível com a preservação da intimidade e imagem dos cidadãos abordados e com a necessidade de resguardar técnicas de repressão a ilícitos.
- A PF não participa do programa "há anos" e tem indeferido solicitações desse tipo.
Reação da produtora:
A Moonshot Films, produtora do programa, rebateu as alegações. Afirmou que a medida "contradiz o histórico do próprio órgão", já que, ao longo de sete temporadas (desde 2016), a PF analisou e aprovou todas as credenciais "sem qualquer incidente de segurança". A empresa destacou ainda que o programa tem apoio de outros órgãos (Anvisa, Receita Federal, PMs) e é um "instrumento eficaz de educação e transparência".
O impasse coloca em lados opostos a interpretação da segurança operacional pela PF e a defesa do jornalismo educativo pela produtora, sem solução imediata à vista.