Brasil registrou 84 mil desaparecimentos em 2025, maior número em seis anos
Dados do Sinesp mostram aumento de 4,1% em relação a 2024; especialistas apontam subnotificação e criticam lentidão na Política Nacional de Busca
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O Brasil registrou 84.760 casos de desaparecimento de pessoas em 2025, o equivalente a 232 sumiços por dia. O número é 4,1% superior ao de 2024 (81.406) e representa o maior patamar desde 2019, quando a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas foi instituída. Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que a política, criada para articular ações entre órgãos de segurança, saúde e assistência social, ainda não foi capaz de conter a escalada do problema.
Embora o total de pessoas localizadas tenha subido 51% desde 2020, alcançando 56.688 em 2025, especialistas alertam para a subnotificação crônica e a complexidade por trás dos números. Segundo Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil da UnB, muitos casos estão associados a crimes como feminicídio, tráfico de pessoas, violência LGBTQfóbica ou ocultação de cadáveres, situações em que familiares muitas vezes temem ou evitam registrar boletins. “Mesmo que surpreendentes, os números não são fidedignos”, pondera.
Crianças e adolescentes representaram 28% dos desaparecimentos em 2025, com 23.919 casos – aumento de 8% em relação a 2024. Desse total, 62% são meninas. A especialista ressalta que, embora muitas fujam de contextos de violência intrafamiliar, o Estado não pode generalizar ou adotar estereótipos, como a ideia equivocada de que é preciso aguardar 24 ou 48 horas para registrar um desaparecimento.
A Política Nacional, que completará sete anos em 2026, ainda avança lentamente. Seu principal instrumento, o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, foi criado apenas em 2025 e conta com a adesão de apenas 12 estados. A fragmentação dos dados biométricos e a falta de interoperabilidade entre os órgãos estaduais são entraves persistentes.
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública reconheceu a subnotificação e afirmou esperar integrar todos os estados ao cadastro no primeiro semestre de 2026, além de destacar ações em curso como capacitação de policiais e campanhas de coleta de DNA.