31 de julho de 2025
Alerta Social

Jogos de azar deixam de ser entretenimento e acendem alerta social no Distrito Federal

Pesquisa inédita do IPEDF e Secretaria da Família desvenda impacto dos jogos de azar no cotidiano financeiro e emocional da população do DF.

Por RAYANY FRANÇA
Publicado em
APOSTADORES - Foto: IPEDF

Uma pesquisa inédita no Distrito Federal acende um alerta sobre os impactos sociais, emocionais e financeiros dos jogos de azar e das apostas entre adultos da capital federal. O estudo “Apostadores no Distrito Federal: Diagnóstico comportamental e sociodemográfico” foi realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) em parceria com a Secretaria da Família e da Juventude do DF (Sefami-DF), com o objetivo de compreender quem são os apostadores, por que apostam e quais são as consequências dessa prática no cotidiano das famílias.

Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados em locais de grande circulação em todas as regiões administrativas do DF, analisando variáveis como faixa etária, gênero e renda mensal. A pesquisa mostra que mais de 35% dos entrevistados declararam ter feito apostas nos últimos 12 meses, com destaque para modalidades digitais que se tornaram acessíveis por meio de aplicativos e plataformas online, ampliando o alcance das apostas para além dos ambientes físicos tradicionais.

Os resultados revelam que muitos apostadores enfrentam prejuízos financeiros frequentes, com relatos de perdas que impactam o orçamento familiar, além de conflitos dentro de casa, ansiedade e estresse. A presença de apostas compulsivas, caracterizada pela repetição frequente mesmo diante de resultados negativos, também foi identificada entre os participantes do estudo.

Para as autoridades, o diagnóstico é um ponto de partida para ações de política pública. Segundo Rodrigo Delmasso, secretário da Família do DF, “o estudo nos permite compreender quem são os apostadores no Distrito Federal e como esse comportamento influencia a dinâmica familiar, abrindo espaço para intervenções que promovam educação financeira e suporte em saúde mental”.

Manoel Barros, diretor-presidente do IPEDF, destaca que a pesquisa fornece informações técnicas que orientem decisões públicas baseadas em evidências, enquanto Marcela Machado, diretora de Estudos e Políticas Sociais do IPEDF, ressalta que o crescimento das apostas online exige atenção urgente diante dos riscos à saúde e ao equilíbrio financeiro dos cidadãos.

Especialistas entrevistados afirmam que o fenômeno precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e política social, uma vez que as consequências extrapolam a esfera individual e atingem o ambiente familiar e comunitário. A pesquisa, assim, abre caminho para políticas integradas de prevenção, educação financeira, acolhimento psicológico e campanhas de conscientização no DF.