Diabetes alcança quase 20 milhões de brasileiros e cresce 134% desde 2006
Doença já atinge 12,9% da população adulta e avanço é puxado pelo tipo 2 e fatores ligados ao estilo de vida
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O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 134,5% em quase duas décadas, segundo dados da mais recente edição da pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde. Em 2024, a doença atingia 12,9% da população adulta do país, o equivalente a cerca de 19,9 milhões de pessoas, com base no Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Em 2006, quando o levantamento começou, a prevalência era de 5,5%.
O diabetes é uma doença crônica caracterizada pela produção insuficiente ou pela dificuldade de absorção da insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose no sangue. Os tipos mais comuns são o tipo 1, de origem autoimune, que exige o uso contínuo de insulina, e o tipo 2, responsável por cerca de 90% dos casos, fortemente associado a hábitos de vida, como alimentação inadequada e excesso de peso.
Ao longo dos 18 anos analisados, o crescimento dos diagnósticos foi maior entre os homens, com alta de 143,5%, enquanto entre as mulheres o aumento foi de 127%. Por faixa etária, o avanço mais expressivo ocorreu entre adultos de 25 a 34 anos, com crescimento de 236,4%, seguido pelos grupos de 35 a 44 anos (113,8%) e de 45 a 54 anos (108,5%). A menor variação foi registrada entre pessoas de 55 a 64 anos, com alta de 29,3%.
Os dados também indicam aumento mais acentuado entre pessoas com ensino médio completo e superior incompleto, grupo em que os casos cresceram 268%. Entre os brasileiros com fundamental completo e médio incompleto, a alta foi de 210%, enquanto entre aqueles com ensino superior completo o crescimento chegou a 181,3%.
Entre 2006 e 2024, o avanço médio anual do diabetes no Brasil foi de 0,35%. No entanto, nos últimos cinco anos do monitoramento, esse ritmo mais que dobrou, alcançando 0,90% ao ano, o que reforça o alerta das autoridades de saúde.
O cenário brasileiro acompanha uma tendência global. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 14% da população adulta mundial vive com diabetes, cerca de 828 milhões de pessoas. Um estudo apoiado pela entidade e publicado na revista The Lancet mostrou que o número de adultos com a doença quadruplicou no mundo entre 1990 e 2022, impulsionado principalmente pelo diabetes tipo 2.
A pesquisa Vigitel também aponta crescimento significativo dos fatores de risco associados à doença no Brasil. O excesso de peso aumentou 46,9% e atualmente atinge 62,6% da população adulta. Já a obesidade mais que dobrou no período, com alta de 117,8%, alcançando 25,7% dos brasileiros. Apesar da redução da inatividade física no lazer, houve queda na prática de atividades físicas no deslocamento diário, como caminhar ou pedalar. O consumo abusivo de álcool cresceu 30% e o tabagismo voltou a subir nos últimos anos.
Pela primeira vez, o levantamento trouxe dados sobre o sono da população, revelando que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% relatam sintomas de insônia.
Diante do avanço da doença e dos fatores de risco, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, voltada à promoção da saúde e à prevenção de doenças crônicas. A iniciativa prevê investimento de R$ 340 milhões em ações de incentivo à atividade física, incluindo a retomada do programa Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026.