31 de julho de 2025
investigação

CPMI do INSS investiga Spyder, empresa de R$ 371 mi ligada a Careca do INSS e publicitária do PT

Empresa sem site e com dono de 25 anos movimentou milhões; pagamento de R$ 200 mil à publicitária Danielle Fonteles, que trabalhou para Dilma Rousseff

Por Redação
Publicado em
Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A CPMI do INSS identificou uma das maiores movimentações financeiras já rastreadas em suas investigações: a Spyder Consultoria, uma empresa sem site ou redes sociais, registrada no nome de um auxiliar de serviços gerais de 25 anos, movimentou R$ 371 milhões nos primeiros seis meses de 2025. O caso ganhou novos contornos com a ligação da empresa ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e à publicitária petista Danielle Miranda Fonteles.

Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI, um pagamento de R$ 200 mil da Spyder foi feito a Danielle Fonteles. Procurada pela coluna, a publicitária, conhecida por campanhas do PT incluindo a de Dilma Rousseff em 2010, afirmou em nota que não conhecia a Spyder e que o valor foi ordenado pelo Careca do INSS como parte do pagamento pela venda de um imóvel em Trancoso (BA). Ela disse que a venda foi posteriormente desfeita por falta de pagamento integral.

A Spyder começou a ser investigada após receber recursos da Dinar S/A Participações, empresa usada pelo Careca do INSS. Apesar de ter capital social de apenas R$ 120 mil, a Spyder registrou movimentação suficiente para ser classificada como grande empresa pelo BNDES. Registrada em dezembro de 2024, em janeiro de 2025 já havia movimentado mais de R$ 16 milhões. A empresa está sediada em um endereço comercial no Tatuapé, em São Paulo.

Danielle Fonteles também é apontada pela Polícia Federal como sócia do Careca do INSS na Cannabis World, empresa de maconha medicinal em Portugal. Mensagens obtidas pela imprensa mostram que ela coordenava o projeto no país. A defesa do Careca optou por não comentar o caso. A investigação sobre a Spyder e suas conexões segue em andamento na CPMI.