31 de julho de 2025
Crédito e endividamento

Juros para famílias chegam a 60,1% ao ano em 2025, aponta Banco Central

Cartão de crédito rotativo segue como modalidade mais cara, com taxa média de 438% ao ano

Por Redação
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No cartão de crédito parcelado, os juros também registraram forte alta em 2025, com aumento de 17,9 pontos percentuais, alcançando 189% ao ano. - Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Os juros médios cobrados das famílias brasileiras chegaram a 60,1% ao ano em 2025, após alta de 7 pontos percentuais, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quinta-feira (29) pelo Banco Central (BC). O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento da participação do cartão de crédito rotativo, que segue como a modalidade com juros mais elevados do mercado.

Mesmo com recuo de 13,6 pontos percentuais ao longo do ano, a taxa média do rotativo fechou dezembro em 438% ao ano. A modalidade é acionada quando o consumidor paga apenas parte da fatura do cartão, passando a pagar juros sobre o saldo devedor por até 30 dias. Após esse período, a dívida é automaticamente parcelada.

No cartão de crédito parcelado, os juros também registraram forte alta em 2025, com aumento de 17,9 pontos percentuais, alcançando 189% ao ano. Já o crédito pessoal não consignado subiu 13,4 pontos percentuais, encerrando o ano com taxa média de 116,8% ao ano.

Entre as empresas, a taxa média de juros do crédito livre ficou em 25% ao ano no fim de 2025, com acréscimo de 3,3 pontos percentuais. Os maiores aumentos ocorreram nas operações de capital de giro com prazo de até 365 dias, que chegaram a 50,3% ao ano, e no cheque especial, cuja taxa subiu para 355,7% ao ano.

Considerando operações com recursos livres e direcionados, a taxa média geral de juros das concessões de crédito para famílias e empresas alcançou 32,4% ao ano, alta de 3,9 pontos percentuais em 2025. O movimento acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros (Selic), fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) como instrumento de controle da inflação.

O spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos clientes — chegou a 21,4 pontos percentuais, aumento de 3,9 pontos no ano. A margem cobre despesas operacionais, riscos de inadimplência, tributos e resulta no lucro das instituições financeiras.

Em 2025, as concessões de crédito somaram R$ 786,4 bilhões, crescimento de 9,1%, abaixo do avanço registrado em 2024, quando houve alta de 15,5%. O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,122 trilhões, com crescimento de 10,2% no ano.

A inadimplência, considerando atrasos superiores a 90 dias, ficou em 4,1% em dezembro, com aumento de 1,1 ponto percentual em relação a 2024. No crédito às famílias, o índice subiu para 5%, enquanto entre as empresas chegou a 2,5%.

O endividamento das famílias, que mede a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, atingiu 49,8% em novembro. Sem considerar o financiamento imobiliário, o índice ficou em 31,3%. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas permaneceu em 29,3%, com alta de 2,2 pontos percentuais em 12 meses.